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sábado, 29 de setembro de 2012

Subjugando a raiva - Este texto foi desenvolvido com a visão do EEU a partir do sutta de Buda Anguttara Nikaya V.161 - Aghatapativinaya Sutta


Existem cinco maneiras para subjugar a raiva, através das quais quando a raiva surge em um bhikkhu ele deveria destruí-la completamente. Quais cinco?

Ter raiva é sofrer. O ser humanizado que sente raiva de outro entra num processo de angústia e amargura que extermina a sua paz interior. Por isso, Buda, aquele que propõe o alcançar a paz interior como realização da elevação espiritual, nos ensina como vencer a raiva. Vamos analisar o seu discurso sobre o assunto, mas antes, precisamos falar um pouco sobre raiva.

A raiva é uma contrariedade forte, violenta. Toda vez que um ser humano se contraria fortemente com as palavras ou atitudes de outra pessoa sente raiva desta. Por isso, precisamos conversar um pouco sobre contrariedades para entendermos melhor o assunto.
O que é uma contrariedade? Toda vez que um ser humanizado age ou fala palavras que contrarie as verdades de outro, este se sente contrariado. Na verdade, não foi ele quem foi contrariado, mas as opiniões dele. Ser contrariado é estar exposto a opiniões e ações que não concordamos, ou seja, que para nós não se constituem em uma verdade ou realidade diferente daquela que cremos.

Existem muitas contrariedades que o ser humano não liga. São coisas de pequenas montas que acontecem no dia a dia e que ferem nossos conceitos. Mas, por não representarem aparentemente uma afronta grande, não ligamos para elas. É aí é que começa o equívoco do ser humano.

Qualquer contrariedade, por menor que seja – não guardar as coisas onde se acha certo que elas estejam, um pequeno atraso, uma palavra mal colocada – fica marcada na memória do ser. Não existe momento em que somos contrariados que a marca não fique guardada. Por isso, toda e qualquer contrariedade precisa ser trabalhada, precisa ser curada. Se não, o acúmulo delas pode levar à raiva.

A raiva surge, então, do acúmulo de contrariedades que vamos tendo no dia a dia com determinadas pessoas. A cada vez que não trabalhamos a contrariedade ela vai gerando marcas em nossa memória e, quando vemos, aquilo que era apenas uma contrariedade virou uma raiva. Mas, não para por aí.

A raiva pode transformar-se em ódio. A raiva surge do acúmulo de contrariedades, mas quando ela aparece, as contrariedades não cessam. Pelo contrário: tornamo-nos mais intransigentes com aquela pessoa e por isso vamos observando cada vez mais as contrariedades e plantando-as em nossa memória. É através deste processo que a raiva se transforma em ódio. Ou seja, o ódio, sensação que leva o ser humano a vivenciar um grande sofrimento, começa nas pequenas contrariedades do dia a dia.

Por isso, neste trabalho, quando analisarmos os ensinamentos de Buda não estaremos nos referindo diretamente à raiva, mas buscando usar o que ele ensina para vencer as pequenas contrariedades do dia a dia.


Quando surge a raiva em relação a uma pessoa, ele deve desenvolver a boa vontade para com aquela pessoa. Dessa forma, a raiva por aquela pessoa deve ser subjugada.

“Desenvolver a boa vontade para com aquela pessoa”: o que quer dizer isso? Vamos conversar sobre o tema.

As contrariedades surgem quando há um desacordo entre o que cada um dos envolvidos num relacionamento acha verdade ou certo. Ela existe porque a verdade ou o certo do outro contraria a sua verdade ou seu certo. Mas, o que é a nossa opinião que é certa ou verdadeira?

Cada ser humanizado é exposto diariamente a centenas de informações. Estas informações são analisadas pela mente a partir de conceitos pré-existentes na memória. Cada vez que uma informação se coaduna com o conceito que está na memória ela é considerada certa ou verdadeira. Mas, como se formam os conceitos pré-existentes na memória?

Somos o resultado do meio que vivemos. A cultura de cada povo, região, cidade, bairro ou mesmo núcleo familiar possui um grupamento específico de informações às quais dá o valor de verdade e certo. Acontece que estes grupamentos diferem entre si. Nos países ocidentais, por exemplo, a cultura afirma que só se pode ter uma esposa, nos árabes ela já é diferente: o homem pode ter mais mulheres. Entre os jovens, atitudes irresponsáveis são consideradas como atos perfeitos, entre os mais velhos isso já não acontece.

Quem está certo? Todos os dois... O certo e o errado não são absolutos, ou seja, não servem para todos e não permanecem por toda a existência sem mudanças. Na verdade, a avaliação de certo ou errado aos conselhos depende do momento da existência de cada um ou do grupo social onde se vive. Na verdade, ela é relativa, ou seja, depende de cada um.

Por isso cada um tem o direito de achar certo e verdadeiro aquilo que achar naquele momento. Não se pode criar um estatuto rígido que sirva para todos ao mesmo tempo. É fundamentado neste conhecimento sobre a relatividade da avaliação de certo e errado que Buda ensina que devemos ter boa vontade com todos.

Você tem o direito de ter o seu padrão de certo e verdadeiro, mas o outro também o tem. Querer impor ao outro o que aquilo é verdade para você só leva à contrariedade. Isso porque o outro não vive a sua vida, ou seja, não vivencia a existência dele com os mesmos valores que você.

Aliás, aproveitando que estamos falando com espiritualistas, exigir do próximo que ele tenha as mesmas avaliações que você é querer retirar dele o livre-arbítrio. Acreditamos que Deus deu a cada um o direito de livre optar por qualquer coisa. Exigimos para nós este direito, mas não o estendemos ao próximo. Escolher um padrão próprio de certo e verdadeiro é o exercício do livre-arbítrio que se foi dado por Deus a cada um não pode ser retirado por ninguém.

Este é o caminho da boa vontade que Buda ensina que leva ao fim da contrariedade e com isso evita a existência da raiva e do ódio: dar ao outro o direito de exercer o seu próprio livre-arbítrio.

Quando alguém faz ou pensa coisa diferente de você, ao invés de se contrariar, diga: ‘ele tem o direito de fazer ou pensar aquilo que achar melhor para ele’. Este é o exercício da boa vontade. Concedendo ao próximo este direito não existirá contrariedade, apesar de continuar existindo a não similitude entre o que você e o outro acham certo ou verdadeiro.

Desenvolver a boa vontade com o outro não é acreditar no que ele acredita ou fazer o que ele faz, mas apenas dar ao próximo o direito de ser diferente de você. Isso leva ao fim da contrariedade, da raiva e do ódio. Leva ao fim do seu sofrimento.

Quando surge a raiva em relação a uma pessoa, ele deve desenvolver a compaixão para com aquela pessoa. Dessa forma, a raiva por aquela pessoa deve ser subjugada.

Compaixão é algo muito diferente daquilo que nós humanos imaginamos que deva ser. Acreditamos que ter compaixão por uma pessoa é sofrer a tristeza que ela está sentindo. Isso não é realidade.

Quem sofre não consegue transmitir o que o outro mais precisa no momento de sofrimento: alegria! Quem está sofrendo precisa ser animado, fortalecido, para poder sair do estado de espírito que se encontra. Como animar alguém se o animador também está desanimado?

Costumamos dizer que sofrer é como alimentar-se de um alimento que não gostamos. Jiló, por exemplo. Quem está sofrendo está ingerindo uma porção de jiló e precisa de alguém que coloque em seu prato algo que o ajude a deglutir aquele alimento. Ao invés disso, quando vivemos o momento com a compaixão como entendida pelos seres humanizados, colocamos mais jiló em seu prato, ou seja aumentamos o sofrimento daquele que já está sofrendo.

Ter compaixão pode ser definido como ter a consciência do sofrimento que se pode causar a si ou ao outro. Quem sente verdadeiramente compaixão pelo próximo, ao invés de sofrer junto com ele, busca animá-lo com felicidade e alegria para não aumentar o seu sofrer. É esta compaixão que Buda ensina.

Quem sente contrariedade com a palavra ou ação do outro e tenta corrigi-lo aumenta o sofrer do próximo. Mesmo que a contrariedade não gere a briga ou discussão, apenas a tentativa de corrigi-lo já traz embutida em si uma acusação, uma crítica. Esta por si só já traz sofrimento a quem está sendo criticado.

Portanto, para vencer a contrariedade que acaba levando à raiva, tenha compaixão do outro: pense no sofrimento que irá causar ao próximo com sua crítica. Para isso, lembre-se: ele tem o direito de ter o seu certo e verdadeiro.

Mesmo que você saiba que o padrão de certo ou errado leve aquele ser humanizado mais tarde a sofrer, não o faça sofrer agora. Evite discordar do próximo para não fazê-lo sofrer...

Um dos instrumentos ensinados pelo Espiritualismo Ecumênico Universal para isso é a doação da razão. Sempre que discordamos de alguma coisa que alguém acredita buscamos debater o assunto para poder, ao fim, ficar com a razão. Mas, será que isso é importante?

Ter a razão significa vencer a discussão. Quem dá a última palavra acha sempre que conseguiu dobrar o próximo e impôs aquilo que acreditava. Mas, para que você quer vencer? Para poder gabar-se de estar certo? Qual o preço que paga por isso? Será que vale a pena expor-se a arquivar contrariedades que futuramente lhe levarão à raiva ou ao ódio? Quem vai sofrer no final das contas? Você mesmo...

Portanto, por compaixão, ou seja, por consciência do sofrimento que pode causar àquela pessoa agora e a você no futuro, doe a razão. 

Quando surge a raiva em relação a uma pessoa, ele deve desenvolver a equanimidade para com aquela pessoa. Dessa forma, a raiva por aquela pessoa deve ser subjugada.

Equanimidade quer dizer igualdade de ânimo, ou seja, sentir apenas uma coisa por uma pessoa, não importa o que esteja se vivendo.

Buda ensina que devemos ter apenas um sentimento com relação às pessoas, pois isso acaba com a contrariedade e estanca a possibilidade de sofrermos mais tarde. Que sentimento é esse? Aquele que já nutrimos por aquela pessoa.

Os seres humanos afirmam que gostam, amam ou têm amizade por alguém, mas na verdade eles só nutrem estes sentimentos quando os outros atendem os anseios e expectativas deles. Se em determinado momento a outra pessoa, num mínimo detalhe, entra em contradição com aquilo que eles acreditam ou acham certo, todo este sentimento extingue-se.

Quem ama, o faz o tempo inteiro e não apenas nos momentos em que o próximo satisfaz seus conceitos. Quem gosta, gosta o tempo inteiro e não apenas quando o outro está de acordo com suas verdades. Quem tem amizade é sempre amigo do outro, mesmo quando este não possui tudo aquilo que nós queremos. Se a emoção não permanece, isso quer dizer, então, que ela não existe realmente.

Gostar, amar e ter amizade por uma pessoa não devem ser emoções que tenhamos por alguém apenas quando ela nos satisfaz. Quem vive desse jeito, além de não ter realmente estes sentimentos pelo outro, está expondo-se ao risco de em qualquer contrariedade decepcionar-se com o próximo e com isso buscar o seu próprio sofrimento.

Quando surge a raiva em relação a uma pessoa, ele não deve empenhar a sua mente ou dar atenção para aquela pessoa. Dessa forma, a raiva por aquela pessoa deve ser subjugada.

Grande conselho de Buda: não empenhar a sua mente ou dar atenção à pessoa que nos causa contrariedade.

Existe um ditado que diz: Deus deu uma vida para cada pessoa, para que cada um tome conta da sua. Ao invés disso, vivemos empenhando nossa mente para prestar atenção na vida dos outros. Isso causa sofrimento.

Todos somos diferentes. Não existem duas pessoas que acreditem ou dêem o valor de certo em mesmo gênero, número e grau a um mesmo conceito. Por isso, quando ficamos atentos aos outros, certamente vamos descobrir contrariedades entre o que ela acha, pensa e faz com o que achamos, pensamos e fazemos. Por isso, o melhor é cada um tomar conta apenas de si mesmo.

Cristo nos ensinou: Você repara o cisco nos olhos dos outros, mas não vê a trave que está no seu olho. Somos naturalmente juízes do mundo. Vivemos constantemente observando as ações e crenças dos outros e comparando-as com as nossas. Isso causa sofrimento...

Para não sofrer é preciso que nos mantenhamos constantemente focados em nós mesmos e demos aos outros a liberdade de ser, estar e fazer o que bem entender.
Quando surge a raiva em relação a uma pessoa, ele deve dirigir os seus pensamentos para o fato de que aquela pessoa é o produto do carma dela: ‘Esse venerável é o agente do seu carma, herdeiro do seu carma, nascido do seu carma, atado ao seu carma e dependente do seu carma. Qualquer carma que ele faça, para o bem ou para o mal, disso ele será o herdeiro. Dessa forma, a raiva por aquela pessoa deve ser subjugada.

Carma é algo que os seres humanos entendem muito pouco. Por nossa tendência a crer no pecado, no mal e nas suas conseqüências, achamos que o carma é o castigo que cada um recebe por suas ações negativas, mas isso não é verdade. Carma é a conseqüência natural de uma ação, seja ela uma condenação ou premiação.

O Universo é regido pela lei da causa e efeito, ou seja, a cada movimento nosso, geramos uma ação como efeito do que foi feito. Isso é o carma: o efeito de uma causa. O carma é o motor que movimenta o Universo. Sem ele, tudo seria estático, pois o que hoje foi gerado não teria uma reação e com isso o Universo permaneceria estático.

Quando Buda nos afirma que a outra pessoa – as suas crenças e conceitos – são o produto do carma dela, quer dizer que o que ela acredita é a reação ao que ela viveu em momento anterior. Se uma pessoa, por exemplo, tem medo de velocidade, pode ter certeza que isso é uma reação a um perigo ou acidente que esta já sofreu em um momento passado quando estava se deslocando em alta velocidade. Se você não tem este medo, é sinal de que nunca vivenciou uma ação desse tipo. Não ter o medo, portanto, é o seu carma, enquanto que o dela é tê-lo.

Vivenciando a vida a partir dessa verdade, podemos encarar as contrariedades de uma forma simples – diferença das vivências das pessoas – ao invés de imaginar que o outro está errado. Quem não entende que os conceitos de uma pessoa são o carma da sua vivência na vida, vive contrariado com o que ela acha certo ou acredita como verdade.

Para estes, Buda faz um alerta neste trecho: Qualquer ação que se faça, para o bem ou para o mal, disso você será o herdeiro. A lei do carma – a reação a uma ação – é inexorável. A certeza de que cada ação gera sempre uma reação nos transforma em herdeiro daquilo que fazemos.

Já nos ensinava Salomão: Quem semeia vento, colhe tempestade. Se você anda pelo mundo com sua mente atenta aos conceitos do outro, colherá contrariedade e com isso sofrerá. Não por castigo ou penalidade, mas como justa conseqüência da sua própria ação.  
“Essas são as cinco maneiras para subjugar a raiva, através das quais quando a raiva surge em um bhikkhu, ele deveria destruí-la completamente.”
Desenvolvendo a boa vontade, a verdadeira compaixão e a equanimidade pelos outros, mantendo a sua atenção na sua própria vida, ao invés de cuidar das dos outros e compreendendo que a vida é uma sucessão de carmas, ou seja, de conseqüências de ações anteriores, evita-se as contrariedades e com isso extingue-se a possibilidade da raiva, do ódio e do sofrimento. 

Fonte : http://www.meeu.com.br

segunda-feira, 2 de julho de 2012

ESPIRITUALISTA - PAI JOAQUIM



“Quem que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria, é espiritualista”. (Introdução ao estudo da doutrina espírita I)
NOTA: Sempre que não houver informação em contrário, as citações deste livro foram retiradas de O Livro dos Espíritos.
Pela definição de Kardec compreendemos que espiritualista é aquele que acredita haver em si algo mais do que a matéria. Esse algo mais pode ter diversos nomes segundo as religiões do planeta, mas é sempre algo não material e imperceptível para quem está na matéria.

Este algo mais para os espiritualistas é sua condição real e antecede e sobrevive à vida humana.

“Não se segue daí, porém, que creia na existência dos Espíritos ou em suas comunicações com o mundo visível”. (idem)

Há dois tipos de espiritualistas: aqueles que acreditam nos espíritos e outros que não crêem neste tipo de algo mais que existe em si além da matéria. Estes crêem nos anjos e numa essência que sobrevive ao corpo, mas que não possui existência extra carne. É o caso dos católicos e evangélicos que crêem que depois da existência humana este algo mais adormece e ressurgirá no dia do juízo final.
Aqueles que acreditam nos espíritos crêem numa existência além da carne ativa. Nesta existência os espíritos agem de determinada forma e se relacionam com o mundo dos vivos. Para estes, o espiritualismo têm que ser mais do que apenas crer que há em si algo além da matéria: é preciso viver para ele.

Todos os mestres nos ensinaram que não devemos ter apego à letra fria, ou seja, que de nada adianta se conhecer sem colocar em prática aquilo que se conhece. Quem apenas sabe e não pratica o que conhece não pode ser considerado sábio. Saber é cultura; sabedoria é saber e colocar na prática aquilo que é conhecido. Mas, o que é colocar em prática o que se aprende, o que é viver para o espírito?

Todos os ensinamentos dos mestres foram trazidos a este mundo para orientar e balizar a vida humana para que ela tenha uma serventia para a existência eterna do espírito. Esta serventia diz respeito ao processo de elevação do espírito.

Todo aquele que acredita no espírito pró-ativo antes e depois da vida humana sabe que esta existência tem por finalidade o melhoramento progressivo do ser universal (espírito). Aquele ser que ao longo da sua existência eterna falhou na vivência dos preceitos espirituais recebe uma nova oportunidade de trabalho para, então, se arrepender de seus erros e viver de acordo com os preceitos ensinados pelos mestres. Esta é a base do processo da reencarnação.

Ao longo do tempo os espíritos vivem vidas carnais onde executarão missões que lhes auxilie a provar que aprenderam os preceitos ensinados pelos mestres e assim alcançar a elevação espiritual. A cada uma destas vivências chamamos de encarnação.

Sendo do conhecimento dos espiritualistas que acreditam na existência eterna do espírito o fato de que estão encarnados para ter uma oportunidade de elevação espiritual e levando-se em conta ainda o fato de que ser espiritualista é viver para o espírito, podemos, então, dizer que este ser humano deve encarar a sua vida como uma oportunidade para realizar um trabalho que o leve à elevação espiritual. A este trabalho chamamos de reforma íntima.

Ser espiritualista não é apenas acreditar na existência do espírito, mas viver a vida carnal com o objetivo de reformar-se. O que é isso? É vivenciar os acontecimentos desta vida fundamentados nos preceitos ensinados pelos mestres. Tal consciência deveria fazer com que eles vivessem os acontecimentos deste mundo de uma forma diferente dos demais seres humanos que não acreditam haver em si algo além da matéria.

Como ensinou Cristo, não se serve dois senhores ao mesmo tempo, pois sempre acabará desgostando um. Quem quer servir à existência eterna do espírito, portanto, não pode servir a existência transitória deste na matéria. Com isso este ser deveria viver de um modo diferente daquele.

Portanto, definindo espiritualista, podemos dizer que é aquele que conhecedor da sua existência antes e depois desta vida e conhecedor ainda do significado da existência humana, muda o seu íntimo para que ele esteja de acordo com o que ensinaram os mestres.
Fonte: http://meeu.com.br/ceu/espiritualista/

terça-feira, 13 de março de 2012

AS SABEDORIAS DE SALOMÃO - 1ª Sabedoria... ''A vida é uma ilusão''


É ilusão, é ilusão, diz o Sábio. Tudo é ilusão. A gente gasta a vida trabalhando, se esforçando e afinal que vantagem leva em tudo isso? Pessoas nascem, pessoas morrem, mas o mundo continua sempre o mesmo. O sol continua a nascer e a se pôr e volta ao seu lugar para começar tudo outra vez. O vento sopra para o sul, depois para o norte, dá voltas e mais voltas e acaba no mesmo lugar. Todos os rios correm para o mar, porém o mar não fica cheio. A água volta para onde nascem os rios e tudo começa outra vez. Todas as coisas levam a gente ao cansaço – um cansaço tão grande, que nem dá para contar. Os nossos olhos não se cansam de ver nem os nossos ouvidos de ouvir. O que aconteceu antes vai acontecer outra vez. O que foi feito antes será feito novamente. Não há nada de novo neste mundo. Será que existe alguma coisa de que a gente possa dizer: “Veja, isto nunca aconteceu no mundo”? Não. Tudo já aconteceu antes, bem antes de nós nascermos. Ninguém se lembra do que aconteceu no passado; quem vier depois das coisas que vão acontecer no futuro também não vai se lembrar delas.



A primeira conclusão a que chega Salomão quando fala de sua sabedoria é de que não existe novidade na vida de ninguém: tudo o que está ocorrendo já ocorreu algum dia. Para se referir dessa forma aos fatos da vida, certamente o Sábio tem que ter penetrado na essência dos acontecimentos.

Se um determinado empregado hoje foi demitido de uma empresa, para ele isso é novidade, mas se penetrarmos na essência da vida, o fato de não mais se precisar do trabalho de um empregado ocorre diariamente sobre o planeta. Uma mãe que gerou seu primeiro filho para ela é um fato novo, mas ela mesma já foi gerada um dia.

A essência dos acontecimentos está na natureza deles. Quando tal essência é aplicada na existência de um ser humano é particularizada com situações, personagens e histórias, mas não deixa de ser a mesma essência.

A conclusão de Salomão sobre os acontecimentos da vida (essências particularizadas) é importante para se compreender o Universo e sua ação: não existe novidade, mas sim particularizações de essências.

Além disso, ao abordar os acontecimentos do planeta, o Sábio faz questão de mostrar que eles não geram conclusões, mas tudo existe dentro de um ciclo infindável. O sol nasce e se põe apenas para nascer novamente; o vento rodopia pelos quatro cantos, mas acaba no mesmo lugar e todos os rios correm para o mar, mas esse nunca fica cheio, pois as águas voltam sempre para onde nasce o rio.

Juntando-se as duas informações podemos chegar à mesma conclusão que o Sábio sobre os acontecimentos da vida carnal: é tudo ilusão.

A situação da sua vida que você está passando agora não existe como a vê. Não existem os personagens envolvidos nela, não existe a trama que você está imaginando, mas apenas uma essência universal acontecendo. Da mesma forma, a sua reação não levará a nenhum lugar novo, pois não importa o que você faça, a ação universal já determinou o fim da situação.

Exemplifiquemos para melhor entendimento. O empregado que foi demitido é uma situação que não existe. Ele, quem decidiu pela sua demissão e os acontecimentos que aparentemente geraram o fato são ilusões. Na verdade ninguém perde trabalho, pois viver já é o trabalho do ser humanizado. As reações que o empregado pode ter (desespero, angústia, preocupação, satisfação) são também ilusões, pois não importa como ele reaja a essa ação universal, os próximos acontecimentos já estão programados pela própria ação universal.

Foi a essa conclusão que o Sábio chegou sobre a existência do ser humanizado: todos os acontecimentos são ilusões e qualquer reação a eles de nada adianta, pois existe uma ação universal que comanda todas as coisas.

Todos os acontecimentos da vida de um ser humanizado são comandados por Deus (ação universal) no sentido de aplicar provas aos seres. Essas provas foram pedidas pelo próprio espírito antes do nascimento como caminho para a sua elevação espiritual.

258. Quando na erraticidade, antes de começar nova existência corporal, tem o espírito consciência e previsão do que lhe sucederá no curso da vida terrena?

Ele próprio escolhe o gênero de provas porque há de passar e nisso consiste o seu livre arbítrio. (O Livro dos Espíritos).

A demissão de hoje é uma ação universal comandada por Deus dentro do gênero de provas pedidas por um ser universal. Imaginemos que o nosso fictício personagem houvesse sido um executivo com alto salário. Durante o período que percebeu esse salário pode viver uma vida material com certo conforto. Depois que o desemprego chegou o seu status de vida mudará. Ele não poderá mais levar a vida que tinha antes. Terá que conviver com dificuldades financeiras, com carências materiais. Eis, nessa pequena análise, a essência do ato da demissão e o gênero da prova escolhida pelo espírito antes da encarnação.

Para que o ser pudesse conviver com a perda de coisas materiais antes era necessário que as tivesse. Isso a ação universal providenciou dando-lhe o emprego com alto salário. Manteve-o nessa posição o tempo necessário para que se acostumasse com aquela quantidade de bens. No momento certo, novamente a ação se fez presente gerando a essência de perda necessária para a prova pedida.

Não foi a capacidade intelectual ou o esforço do ser humanizado que lhe garantiu a vaga quando da admissão, mas a ação universal que o colocou onde houvesse os instrumentos materiais necessários para a sua provação. Esta ação, no entanto, não começou a agir no momento da admissão. Já prevendo o emprego que o ser humanizado deveria conseguir para poder ser demitido, a ação universal levou-lhe a obter capacidades intelectuais que justificassem a sua escolha. Levou-o a determinada carreira em certo colégio, colocou aqueles professores que ele teve. Enfim, agiu durante toda a existência preparando aquele ser para o emprego que iria ter.

Para que ele pudesse freqüentar aquela escola era necessário estar naquela cidade ou ter o desejo de transferir-se para aquela onde se encontra o colégio que ele estudou e isso também a ação universal fez. Enfim, se formos analisando a ação universal na existência do ser humanizado teremos que remontar ao nascimento, ou ainda antes desse, pois seria necessário que houvesse a ação do ato sexual para que a concepção ocorresse.

A ação universal não é estática e nunca deixou de existir. Todos os acontecimentos do planeta, desde o seu primórdio foram e sempre serão obra da ação universal criando situações materiais onde a essência representará as provações pedidas pelos seres para a sua elevação espiritual. Por isso afirmo também que não foi a incapacidade ou qualquer ato específico que gerou o desemprego, mas a mesma ação universal agiu no sentido de criar o gênero de prova que o espírito escolheu antes do nascimento. Todos os acontecimentos do Universo são criados pela ação universal para que sirvam de oportunidade para o espírito purificar-se.

Não pense que estou falando de inércia, pois a ação universal é constante. A compreensão da existência da ação universal conspirando para que tudo aconteça dentro de um planejamento não vai lhe levar a deitar-se em uma cama e esperar a morte chegar, a não ser que seja essa a essência que o espírito tenha pedido antes da encarnação. Qualquer que seja a compreensão que você tenha sobre esse tema lhe será dada pela ação universal para justificar os seus próximos atos. Mesmo que imagine que viver é permanecer estático, a ação universal lhe afará agir para que os acontecimentos futuros que já estão pré-determinados possam ocorrer.

Viver com o conhecimento da ação universal cumprindo um planejamento pré-estabelecido não é permanecer estático, mas deixar a vida fluir através de você. A real compreensão desse assunto é que o ser humanizado deve vivenciar os acontecimentos e não se imaginar como parte integrante deles. Essa vivência leva o ser a fugir da materialidade (forma das coisas) e penetrar na espiritualidade (essência dos acontecimentos).

Como pode o desempregado penetrar na essência da sua situação se ainda está preso na culpabilidade de quem decidiu pela sua demissão? Só quando vivenciar a situação sabendo da existência da ação universal poderá compreender a essência, ou seja, uma situação criada para subsidiar o gênero de provas pedido pelo espírito e que acontece independente da vontade ou desejo de seus participantes.

O oposto da convivência com a ação universal é a racionalização. O ser humanizado quer racionalizar os acontecimentos e, por isso, não consegue vivenciar a ação universal. Vivenciar o acontecimento é jamais perguntar para que, porque, como, quando, onde, o que acontecerá?

75a Porque nem sempre é guia infalível a razão?

Seria infalível, se não fosse falseada pela má educação, pelo orgulho e pelo egoísmo. O instinto não raciocina; a razão permite a escolha e dá ao homem o livre arbítrio. (O Livro dos Espíritos – pergunta 75a).

A racionalização é a utilização do processo raciocínio pela propriedade inteligência do ser humanizado. Esse processo consiste em perceber uma forma (objeto, acontecimento ou pessoa), analisar a percepção e tomar uma decisão sobre o assunto.

Foi ensinado através de Allan Kardec que essa escolha é o livre arbítrio do ser humano, mas donde não se conclui que seja o livre arbítrio do espírito. Como vimos na citação anterior (perg. 258) o livre arbítrio do espírito é a escolha do gênero das provas que irá fazer durante a encarnação.

A compreensão do ser encarnado é diferente de quando ele está fora da carne. Quando possui a compreensão da existência eterna busca amealhar bens para a vida espiritual, mas quando presos à matéria carnal, com a certeza do “fim” (morte), tornam-se imediatistas e buscam a felicidade carnal.

Essa felicidade é movida por sentimentos diferentes do espírito purificado. Para que alcance a felicidade material o ser humanizado precisa ter o seu orgulho contemplado. Todos os seres encarnados possuem pelo menos um item do qual se gabam: a independência do universo, ou seja, o individualismo.

Essa forma de utilizar a sua individualidade (primando pelo seu orgulho próprio) leva o ser humanizado a sempre procurar culpados para os acontecimentos da vida. Aquele que foi demitido tem que encontrar um culpado para a sua demissão e por isso racionaliza o fato. Mesmo que não acuse outro ser humanizado acusará a si mesmo. Não importa quem seja declarado culpado, ele não existe, pois ninguém agiu no momento, mas todos vivenciaram a ação universal.

É isso que o instinto diz: houve uma ação universal e eu nada posso fazer para alterá-la. Um animal age instintivamente, ou seja, não questiona a ação universal. Se o ninho é atacado por outro animal a mãe luta para defender os filhotes, mas se um deles sucumbe ela não se preocupa em saber porque ele foi escolhido ou o que acontecerá com ele. Prossegue a sua existência porque sabe que ali houve uma ação universal. Tudo no universo se interage e por esta interação era necessário que o aquele filho servisse de alimento para que a fera pudesse sobreviver. Porque foi escolhido o seu ninho, se era justo ou não, são questões que não afligem os animais, mas apenas àqueles que querem dominar a ação universal.

Esse domínio se faz pela racionalização ou processo raciocínio da propriedade inteligência do seres. Ele inicia-se quando alguma situação é percebida pelos órgãos do sentido do corpo físico. É por isso que Salomão afirma que nossos olhos não se cansam de ver e nossos ouvidos não se cansam de escutar.

Na verdade o ser humanizado não vê ou escuta as coisas. A imagem e o som que são captados pelos órgãos do sentido são levados à inteligência que, através do seu processo raciocínio, gera uma compreensão. Essa compreensão, falseada pelo orgulho e pela vaidade, é a verdade para o ser humanizado. É o que ele vê e ouve, mas não é a realidade.

A verdade universal (realidade) do acontecimento é a ação universal agindo no sentido de criar situações materiais de acordo com o gênero das provas pedidas pelo espírito. Qualquer outra compreensão é fruto de soberba.

Apesar disso, o ser humanizado vive querendo compreender os acontecimentos. É isso que Salomão afirma que torna a vida cansativa. Quando mais o homem racionaliza os acontecimentos, menos resposta encontra, menos compreende o que está acontecendo. Quanto mais se aprofunda na racionalização encontra sempre outra visão para ser racionalizada. É um círculo vicioso que exaure as energias do ser humanizado.

A resposta a todas as perguntas do raciocínio só Deus, o Comandante da ação universal, sabe e elas são o assunto das perguntas da prova do espírito. Se o ser humanizado soubesse essas respostas conheceria os temas da prova que iria fazer.

Concluindo, então, este primeiro estudo da sabedoria de Salomão, vimos que ele afirma que os acontecimentos, objetos e pessoas desse mundo não existem e depois afirma que as conclusões que um ser humano chega através da racionalização são ilusões. Com isso, o Sábio extingue todos os componentes da vida material.

Se as coisas não existem e nada há a se concluir delas, então o que resta ao ser humanizado fazer? Viver. É exatamente isso que ele deixa de fazer durante a vida. Ao invés de viver a vida que tem, o ser humanizado está sempre preocupado em racionalizar todos os acontecimentos, em compreender todos os acontecimentos. Da compreensão nasce a preocupação com o futuro, do que poderá acontecer. Por isso vive estressado, preocupado, em constante sofrimento. Com tudo isso para fazer deixa de viver.

A vida tem que ser muito mais do que apenas compreender as coisas e preocupar-se com o futuro. Como dom de Deus, a existência carnal não pode servir apenas para gerar sofrimentos para o ser humanizado, mas deve ser uma fonte constante de felicidade. Viver é isso: estar sempre feliz.

Como estar feliz se não se compreende o mundo? Como estar feliz sem saber o que irá acontecer no futuro? Com a fé, confiança e entrega, em Deus. Somente o amor ao Pai acima de todas as coisas pode trazer a felicidade ao ser humanizado.

Quando o ser não mais buscar compreensões individualistas para os acontecimentos, alcançará a verdadeira compreensão: a ação universal (de Deus) existindo para minha felicidade (elevação espiritual). Nesse momento começará a viver, ser feliz.

Encontrará paz interior, pois não mais precisará brigar com o mundo para sustentar sua vaidade e estará em harmonia com o Universo, pois não terá mais objetivos individuais a serem alcançados. Aí penetrará na Bem-Aventurança, ou felicidade dos santos, aquela que independe de qualquer coisa para existir.
FONTE  Lineu Fernandes Junior em 8 março 2012 às 16:29 VIA http://anjodeluz.ning.com/profiles/blogs/as-sabedorias-de-salom-o-1-sabedoria-a-vida-uma-ilus-o  

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

A VERDADE QUE SALVA. AMOR E GRATIDÃO SEMPRE.







Todos os enviados de Deus ao planeta, de uma ou de outra forma, deixaram o ensinamento que somente a Verdade pode “salvar” o ser humano, ou seja, somente a compreensão e a vivência de seus ensinamentos podem levar o ser humanizado a retornar à sua consciência universal ainda durante a encarnação. 

Cristo afirmou que o cumprimento dos seus ensinamentos levaria o ser a conseguir chegar ao reino dos céus (caminho, verdade e luz). Kardec mostra que a elevação espiritual será alcançada com uma vida vivida de acordo com a atualização dos ensinamentos de Cristo, como a espiritualidade transmitiu. 

Mohamed fala do incitamento que o Anjo Gabriel faz à completa submissão ao Livro Sagrado (Alcorão). Mesmo o Buda, Gautama, cujos ensinamentos muitas vezes têm sido desvinculados de religiosidade, fala da necessidade da fé no Deus Universal para a completa elevação. 

Se todos estes enviados, provieram de uma Fonte comum, em qual dos ensinamentos está a verdade que poderá nos salvar? No Deus cristão, na espiritualidade de Kardec, no Alcorão ou no "nirvana" de Buda? 

Quando afirmamos que o espiritualismo é como uma carreira universitária composta de diversas "cadeiras", buscamos exatamente a compreensão desta Verdade. Existe uma única Verdade Universal, que é Deus, Pai Supremo e Criador do Universo. Esta Fonte Suprema é a Verdade que pode salvar o ser. 

Todos os Seus enviados trouxeram trechos dos ensinamentos que, isoladamente, não conseguem atingir a Verdade Universal. Transformar o ensinamento ou o seu porta-voz em objeto de adoração afasta o ser da Verdade Universal. 

Apenas compreendendo que cada um dos mestres não passa de transmissor de uma determinada "ciência" necessária para a formação acadêmica, o ser conseguirá alcançar a Deus, a única Verdade que pode salvar. 

Muitos são os exemplos que podemos citar para comprovar o que estamos falando, mas um deles é bastante representativo. Quando Cristo diz aos seus apóstolos que é preciso que ele vá antes para reservar seus lugares no reino do céu, é questionado pelos apóstolos que não sabiam como alcançá-lo depois de sua ida. 

Em resposta, o Mestre afirma que "existem muitas moradas no reino de meu Pai", ou seja, existem muitas formas de se alcançar a Deus. Cada um dos mestres da humanidade, cada um com seus ensinamentos, representa uma destas moradas do Pai. 

Entretanto, aquele que não conhecer todo o reino não conseguirá sentir-se "em casa", pois desconhecerá as demais moradas. Para se morar no palácio do Pai é preciso conhecer todos os cômodos, ou seja, conhecer todos os ensinamentos enviados por Deus. 

Prender-se a um determinado transmissor como fonte única da vontade divina é criar um ídolo que será servido e idolatrado. Só este fato já quebra o primeiro e o segundo mandamento das leis de Deus transmitidas a Moisés. 

Os idólatras não são aqueles que utilizam imagens, mas sim todos aqueles que idolatram o transmissor dos ensinamentos e que não compreendem que eles são apenas instrumentos do Pai. 

A religião que prega o isolamento e a superioridade sobre as demais nega os próprios ensinamentos do mestre que lhes serve como doutrina. Nega a fonte da informação a quem todos eles se submeteram: Deus.

Os mestres são caminhos, Deus é o objetivo. No entanto, o que leva cada religião a isolar-se das outras são apenas meros detalhes que, na verdade, não se tratam de diferenças profundas, mas frutos, na maioria das vezes, da soberba do ser humano que quer possuir a Verdade Universal. 

Reencarnação ou vida única, Alá ou Jeová, santos orientais ou ocidentais, vida fora da carne ou passividade até o julgamento final? Todas estas informações estão contidas nos ensinamentos de todos os mestres, mesmo daqueles que a religião afirma que não falaram desta forma. 

Aqui devemos relembrar o ensinamento que Cristo nos deixou: "olhos de ver e ouvidos de ouvir". Partindo-se de uma premissa pré-elaborada, o ser jamais conseguirá enxergar de outra forma. É necessário que ele isente-se de pré-conceitos para conseguir enxergar a Verdade Universal que está embutida em todos os ensinamentos. 

Existe uma única Verdade Universal e esta foi explicitada por Cristo: "amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo". Apesar dos demais mestres não terem pronunciado esta frase, esta foi a motivação que todos ensinaram como base para se alcançar a elevação espiritual. 

Esta é a única verdade que pode “salvar”. Todos os mestres trouxeram ensinamentos para colocá-la em prática e isto também é uma Verdade Universal. 

Cristo e Mohamed falaram teoricamente sobre este amor ao Pai e ao próximo, Buda ensinou a técnica para se colocar em prática este amor na vida material e Kardec ensinou o objetivo desta prática. Assim, a Verdade Universal não poderia ser outra a não ser o "Amor Universal". 

Por este motivo, o espiritualismo tem que ser ecumênico. Este espiritualismo não gera ídolos para serem adorados, mas respeita a todos os enviados transmitindo a essência dos seus ensinamentos com o objetivo de que cada um consiga alcançar o "Amor Universal", podendo, então, amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo.


Fonte: EEU - Espiritualismo Ecumênico Universal: www.meeu.com.br
Fonte  http://anjodeluz.ning.com/profiles/blogs/a-verdade-que-salva

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Pai Joaquim - FABRIQUE SUAS PRÓPRIAS VERDADES. Gratidão sempre.

                                                   Pai Joaquim de Aruanda




O moderno espiritualismo se caracteriza por uma busca incessante de informações sobre o mundo além da matéria. Por isso, a cada dia, aparecem novos mestres, médiuns ou gurus que afirmam possuir a verdade e os seres humanos, ditos espiritualistas, ficam correndo atrás destas informações. Mas, será que alguém pode lhe transmitir uma Verdade Verdadeira? Vamos conversar um pouco a respeito desta busca que hoje é considerada o ponto alto do espiritualismo.

Quando se fala em busca da Verdade, a primeira coisa que precisa ser dita é que de nada adianta ficar se buscando novas informações, pois ninguém possui a Verdade para transmitir. Isto porque, a Verdade Verdadeira não está disponível neste planeta.


Uma informação para ser Verdadeira precisa ter dois princípios básicos: universalidade e eternidade. Será que existe neste planeta alguma verdade que já não tenha sido considerada anteriormente como mentira? Será que todo conhecimento humano sempre foi o mesmo ao longo dos séculos? Será que existe alguma informação que seja aceita como verdadeira por todos os seres humanos? A resposta a todas estas questões é: não... Sendo assim, a Verdade Verdadeira, que também chamamos de Absoluta, não existe entre os seres humanos.

A Verdade é Deus. Somente o ser que possui Inteligência Suprema, ou seja, a capacidade infinita de analisar e conhecer as coisas pode conhecer a Verdade Absoluta. Pode o homem conhecer e compreender a natureza íntima de Deus, que é a Verdade? Não, pois lhe falta para isso o sentido (O Livro dos Espíritos – pergunta 10). É por isso que a busca da Verdade que hoje é desenvolvida pelos espiritualistas é infrutífera...

Se a Verdade Verdadeira não existe, o que é a informação que nós chamamos de verdade? É uma informação que nós acreditamos ser verdadeira...

A Verdade Real não existe, mas o ser humano convive com informações diuturnamente. Para algumas destas informações ele dá o valor de verdadeiro; para outras o valor de falso. Isso não quer dizer que aquela informação seja realmente falsa ou verdadeira, mas apenas que ela é tratada de tal ou tal forma por determinados seres humanos. 

Uma informação por si só não pode ser verdadeira porque ela carece da universalidade, já que ela pode ser classificada como tal por alguns seres humanos e de outra forma por outros. Ela também carece do princípio da eternidade posto que todas as informações que hoje são tratadas como verdadeiras, amanhã não mais serão.

Portanto, a Verdade Verdadeira não existe. A única coisa que existe são informações que alguns seres humanos dão o valor de verdade e outros não. Mas, apesar disso muitos continuam buscando e por isso continuamos verificando se compensa buscar a verdade.

Se ninguém possui a Verdade, o que alguém pode lhe ensinar? A verdade dele. O que qualquer mestre, médium ou guru pode ensinar a um ser humano é uma informação à qual ele deu o valor de verdade. Ou seja, é apenas a verdade dele. 

Acontece que todos nós possuímos verdades relativas sobre todas as coisas. Seja sobre que assunto for, cada um tem uma convicção sobre ele, ou seja, sua própria verdade relativa. Ora, se a busca por novos conhecimentos nos leva apenas a encontrar uma verdade relativa, isso de nada adianta, pois esta nós já temos. Se trocarmos nossa verdade relativa pela verdade relativa do outro, isso não significa maior grau de evolução ou de conhecimento maior, mas apenas troca de enunciado de informações que acreditamos como verdadeiras, nada mais.

Disse no início da conversa que o moderno espiritualismo se resume a uma questão de ciência, de sabedoria, de saber mais. Tal procedimento acostumou os seres humanizados a estarem sempre buscando mais informações. Mas, por que viver assim se o máximo que o ser humanizado conseguirá é trocar uma informação por outra? 

Muitos poderiam dizer que procedendo desta forma estariam adquirindo novos enunciados de informações que poderiam facilitar a sua vida. Mas, quem disse que a informação do outro será melhor? Quantas vezes já não nos deixamos levar pelo que os outros falam para fazermos (conselho) e quebramos a cara? Portanto, trocar a sua verdade relativa pela do outro nem sempre é benéfico à sua felicidade.

O que estou querendo dizer com tudo isso? Muito se fala sobre caminhada espiritual. Caminhar é andar, é avançar. No caso da busca espiritual, o problema não é caminhar, mas para onde se caminha, pois de uma forma ou de outra, todos caminham todo dia. 

Caminhar é viver. Cada dia, hora, minuto ou segundo que o ser passa na carne ele está caminhando na sua encarnação. Agora, para onde ele caminha nestes momentos: para a sua realização pessoal, profissional, familiar ou espiritual? Lembre-se do ensinamento de Cristo: não se serve dois senhores ao mesmo tempo. Ou seja, ou o ser caminha para uma realização ou para outra...

Por causa deste ensinamento de Cristo, pergunto: qual o norte da sua vida? Obter a resposta a esta questão é algo imprescindível para a busca da elevação espiritual. Isso porque muitas pessoas afirmam que caminham, mas não sabem para onde estão caminhando. Por isso, não sabem o que usar como corrimão, como apoio, como referência para sua caminhada. São estes dois fatores (não saber para onde caminha e no que se apoiar para caminhar) que levam o ser humano a ficar buscando novos conhecimentos. Viver assim pode levá-lo a vivenciar um grande perigo.

Que perigo é esse? O perigo de imaginar que está caminhando num sentido, com um destino, enquanto se está caminhando para outro lado. Quantos são os espiritualistas que por desconhecer o objetivo de sua caminhada acaba encontrando ensinamentos que os apegam ao mundo material e imaginam que estão caminhando no sentido do espiritual? Ele pensa que está andando num sentido, mas acaba sendo direcionado para outro por causa de uma informação que buscou e achou.

A busca pela verdade como hoje é feita, então, é infrutífera – porque ela não existe e não há ninguém que possa ensiná-la – e é perigosa, pois pode levar o ser a caminhar por um caminho que não leva à união com Deus. Mas, apesar disso, os seres humanos continuam imaginando que precisam de verdades para caminhar. Por isso pergunto: que tal construir suas próprias verdades? Sim, se você precisa de uma verdade como corrimão (guia) para a sua caminhada, porque você mesmo não as constrói?  

Alguns podem ficar estarrecidos com o que estou falando, pois afinal de contas somente as pessoas sábias podem construir verdades. Quem disse isso? Todos constroem o tempo inteiro as suas próprias verdades. Vamos conversar sobre isso...

O que é ler um texto? Realizar automaticamente uma interpretação do que é lido. Sempre que alguém lê um texto constrói uma interpretação sobre aquilo que esta lendo. Esta interpretação é a verdade que cada um constrói a partir do que leu ou ouviu.

Para fazer esta interpretação, levamos em conta o conjunto de conceitos (verdades) que temos em nossa memória. A ação de cada uma dessas verdades acaba construindo um sentido para o que é lido. Se alguém, por exemplo, acredita na existência depois da vida humana e no processo de reencarnação, certamente terá uma interpretação (uma verdade) lendo um texto espiritualista; se não acreditar, com certeza alcançará conclusões (verdades) diferentes.

Acontece que não existem duas pessoas que possuam em gênero, número e grau o mesmo conjunto de conceitos. Mesmo que diversas pessoas acreditem na reencarnação, esta crença é vivenciada de formas diferenciadas. Desta forma, mesmo os que acreditam nesta informação ainda terão conclusões diferenciadas sobre o texto espiritualista que usamos no exemplo. É por isso que é difícil encontrar duas pessoas que tenham a mesma opinião e que tenham chegado à mesma conclusão depois da leitura de um texto único. 

Sendo tudo isso realidade, cada vez que um ser humano lê um livro ele constrói verdades para si. Ou seja, cada vez que um ser humano lê um livro que um escritor escreveu, cria para si mesmo uma série de verdades que, aliás, nada tem a ver com o que o autor pensava. Portanto, criar suas próprias verdades é ler livros.

Acontece que agora a pouco disse que a busca pela verdade é infrutífera, pois ninguém a tem para dar. Como fica, então, o meu convite para você criar suas próprias verdades através da leitura de livros, ou seja, através da busca?

O problema não é buscar, mas onde buscar. Como também afirmei anteriormente, cada autor ao escrever um livro cria uma interpretação daquilo que foi ensinado pelos mestres da humanidade – Cristo, Buda, Krishna, Espírito da Verdade, etc. Ou seja, quando um ser humano forma verdades a partir do que foi escrito por um autor, já está exposto a uma verdade individual dele e não ao que foi ensinado pelos mestres. 

Por isso convido vocês a fabricarem suas verdades a partir da fonte original. Lendo diretamente o ensinamento do mestre, com certeza estarão fabricando verdades mais fidedignas à idéia original e mais própria para a caminhada de cada um, pois ela será fabricada com os conceitos (aquilo que crê) individuais. 

Por isso pergunto: porque ao invés de ficar procurando informações de escritores encarnados você não lê a Bíblia? Falo da Bíblia porque estou entre cristãos, mas posso também citar o Bhavagad Gita, os suttas budistas, os livros básicos do espiritismo, etc. Bebendo direto na fonte daquilo que você diz acreditar, com certeza se libertará de diversas interpretações que não condizem com o que está escrito nos livros sagrados. 

No entanto, se perguntar quem já leu a Bíblia certamente poucos dirão que já fizeram isso. Por que não leram? Podem existir muitas justificativas, mas duas se sobressaem. Primeiro porque a Bíblia está fora de moda. A Bíblia hoje é considerada pelo moderno espiritualista como algo inculto. É um livro que só serve para aqueles que não possuem cultura espiritual. Mas, será que é mesmo?

A Bíblia contém os ensinamentos de Cristo, que os espiritualistas também acreditam ser o mestre dos mestres. Será que só isso já não seria uma credencial que nos obrigaria lê-la? Seria. Mas os espiritualistas acham que ela não contém ciência necessária para lhes trazer sabedoria. Mas, é o contrário.

Ser sábio não é coletar verdades, que, como já dissemos, ninguém consegue obter. Ser sábio é saber colocar em prática os ensinamentos dos mestres. Sábio é aquele que vive a sua existência a partir dos ensinamentos do mestre no qual crê. Que fonte maior de guia de conduta moral podemos encontrar que não a própria Bíblia?

O outro motivo que os modernos espiritualistas dão para não ler a Bíblia é de que ela é muito grande e de difícil compreensão e por isso não têm tempo para lê-la. Afinal de contas eles têm que cozinhar, lavar, passar, arrumar a casa, cuidar dos filhos, ganhar o sustento com seu trabalho, têm que se distrair, se divertir... Têm tanta coisa para fazer que não sobra tempo para ler a Bíblia... Por este motivo, preferem buscar a verdade em livros mais didáticos ou em salas de aula de centros espiritualistas. 

Quando falo em ler a Bíblia, no entanto, não estou dizendo que você tem que parar a sua vida e ficar o dia inteiro lendo-a. Não estou falando em quantidade de tempo que deve dispor para lê-la – duas, três, quatro ou dez horas – mas em outra coisa. Vou dar um exemplo.

Você abre a Bíblia e encontra em Mateus no capítulo 5, versículo 33 o seguinte texto:

“Vocês sabem o que foi dito aos seus antepassados: ‘não quebre a sua promessa, mas cumpra o que jurou ao Senhor que ia fazer’. Porém eu lhes digo: não jurem de jeito nenhum. Não jurem pelo céu, pois é o trono de Deus; nem pela terra, pois é o estrado onde ele descansa os seus pés; nem por Jerusalém, pois é a cidade do grande Rei. Não jurem nem mesmo pelas suas cabeças, pois vocês não podem fazer um só fio de cabelo ficar branco ou preto. Digam apenas ‘sim’ ou ‘não’, pois qualquer coisa mais que disserem vem do Diabo.”

O que está sendo dito aí? Não jure... Aprendeu isso? Agora feche a Bíblia e vá vivenciar este trecho. Ou seja, vá vivenciar todas as atividades que precisa fazer, só que sem se comprometer (jurar) por nada. Quando você vivencia o ensinamento no seu dia a dia está ‘lendo’ a Bíblia. 

Viu como não leva muito tempo para ler a Bíblia? O problema é que os seres humanos não querem nem se dar ao trabalho de fabricar suas próprias verdades: preferem encontrá-las prontas... 

Quando se entende o que é espiritualismo (busca do bem celeste), compreende-se que não se pode caminhar sem conhecer pessoalmente o caminho e sem andar por ele (colocar os ensinamentos em prática). Buscar a elevação espiritual é caminhar para Deus. Mas como se caminhar para Ele sem a prática dos ensinamentos que são o caminho? Hoje, dentro do moderno espiritualismo, caminhar para Deus é fazer cursos dentro de centros espiritualistas. Isso não é caminhar, mas ficar parado no mesmo lugar. Caminhar consiste-se na prática daquilo que se ouve, não de terceiros, mas dos próprios mestres.

Quando falo estas coisas, muitas pessoas imaginam que estou querendo que acreditem em tudo que digo, mas não é isso. Não importa o que você ouve ou onde ouça: o importante é no que acredita. Depois que acreditar, deve, então, buscar a prática daquilo. Deve caminhar, deve praticar o que diz ter aprendido e não ficar buscando mais coisas. 

Entre as pessoas que me ouvem comumente, algumas conseguiram. Foram aquelas que ouviram e buscaram por na prática. As outras nada conseguiram. Muitas destas pessoas que não conseguiram até ouviram tudo o que falei, mas nada conseguiram porque ficaram apenas me ouvindo e não buscaram a prática do que foi dito.

Estas coisas que estou dizendo agora deveriam ser ditas a todos no primeiro dia que eles entrassem numa caminhada. Isso porque, de nada adianta buscar algo sem ter o compromisso consigo mesmo da prática daquilo que receber na busca. Quem não se compromete em praticar aquilo que recebe é como uma estante de livros que possui diversos ensinamentos, mas nada faz com eles. 

Agora, se tudo isso é verdade, o importante não é estar aqui, frequentar um centro, ler ou buscar verdades. Até porque, como disse, ninguém pode lhe trazer uma Verdade Absoluta, mas apenas relativa, e esta você já tem. O importante é o que você vai fazer com aquilo que receber. Vai arquivar a verdade na memória como se guarda um livro já lido numa estante e buscar outra? Se fizer isso, ninguém pode criticá-lo, pois é seu direito fazer o que quiser. Mas, se agir desta forma tenha a certeza que não chegará a lugar algum. 

Quer caminhar para frente? É preciso, então, antes de qualquer busca, comprometer-se consigo mesmo a colocar em prática aquilo que recebe. Recebendo uma informação, seja pela Bíblia, Livro dos Espíritos ou qualquer outra fonte, pare tudo e vá praticar aquilo que recebeu. Pare de buscar outra coisa e concentre-se em cada momento do seu dia para tentar colocar em prática aquilo que recebeu. Só depois de alcançar esta prática, vá então fabricar uma nova verdade. 

Mas, para poder alcançar isso, é preciso gerar outro compromisso com você mesmo: parar de buscar. Vocês já estão nesta roda de busca de informações sobre elevação espiritual há muito tempo. Todos que aqui chegam já passaram por diversos lugares e doutrinas. Por isso me arrisco a dizer: possuem dentro de si um cabedal de informações muito grande. O que estão fazendo com o que já receberam? Nada... 

Por que não fazem nada com o que já têm? Porque continuam procurando coisas novas... Estão sempre procurando se existe uma informação mais ‘verdadeira’ ou mais fácil de ser praticada e não fazem nada com o que já têm.

Estou criticando alguém por agir assim? Não. Como já disse, todos têm o direito de apenas buscar, se assim quiserem. O problema é outro... O problema é que muitas vezes nesta busca acabam encontrando informações que destroem ou põe em dúvida a verdade que já têm.

A busca pela verdade é danosa para aquele que quer se elevar, pois ela age como um entrave para a caminhada. As pessoas estão sempre procurando algo mais ‘verdadeiro’ do que aquilo que já têm, mas agem assim porque não compreendem que ‘verdadeiro’ é só aquilo que cada um disser que é. 

Portanto, depois que fabricar a sua verdade, pare de buscar informações, pois você já chegou à verdade máxima daquele assunto. Se mesmo assim alguém insistir em lhe ensinar algo, diga: ‘muito obrigado, eu já sei a verdade sobre este assunto; é aquilo que acredito que é’.

Participante: Como posso saber que o que eu acredito está certo?

Se o certo não existe plenamente neste planeta, mas trata-se apenas de aquilo que você acredita que está certo, como saber se o que você acredita está certo? Acreditando que está...

Participante: Não é bem assim... Para poder dizer isso antes, é preciso...

É, para vocês não é bem assim. Para vocês é preciso antes submeter a sua verdade à verdade dos outros, compará-la, analisá-la para ver se não está errada... Não é isso... Para quê submeter aquilo que você acredita ao que os outros dizem, se não existe um certo que seja Absoluto e possa servir como parâmetro para julgar a sua verdade? Se você assumir que a sua informação está certa para você, ela estará. 

Participante: Ter fé...

Sim, para se caminhar no sentido da elevação espiritual é preciso ter fé em você mesmo, na sua verdade. 

Participante: E se eu estiver errado?

Este é o grande entrave da elevação espiritual: ter medo de estar errado... Se verdade é apenas aquilo que você acredita como verdadeiro, jamais estará errado, a não ser diga para si mesmo que está. 

Sabe por que só você pode dizer que está errado? Porque não existe Verdade Absoluta que crie o certo para você poder dizer com certeza que aquilo que acredita está errado. 

Para que sua informação fosse errada, seria necessário que existisse algo certo, verdadeiro. Se isso existisse entre os seres humanos sua verdade poderia ser uma mentira e nesse caso você estaria errado em acreditar naquilo como certo. Mas, se isso não existe no planeta e verdade é apenas a informação que você trata desta forma, como estar errado? Só tem uma forma: não acreditando em si mesmo... O que você acredita só pode ser falso se você disser isso, se você determinar que aquela informação seja falsa. 

Não existe verdade verdadeira neste mundo. Apesar disso, vocês continuam buscando-a. Fazem isso porque não colocam em prática o ensinamento que diz que a verdade verdadeira da sua vida é a informação que você trata desta forma. Saiba isso: qualquer coisa que um ser humano diga que é verdadeiro não é, pois, para ser assim, esta informação teria que ser Absoluta e isso não existe entre os seres humanos.

Por não colocarem em prática este ensinamento – apesar de dizer que acreditam nele – continuam buscando algo mais certo do que acreditam, mas isso não existe. Só existirá algo mais certo do que aquilo que acredita se você disser que a nova informação que receber é mais certa. Mas, na realidade, ela não será mais certa: só será tratada assim porque você deu este valor a ela. 

Estamos falando do ensinamento de todos os mestres: você já é tudo. Todos os mestres ensinaram que vocês já são tudo o que podem ser, e vocês dizem que acreditam nisso, mas apesar disso ainda continuam buscando o certo fora de vocês mesmos.

Sabem por que continuam buscando fora de si a verdade apesar de terem a informação que já são tudo o que podem ser? Porque acham que existe algo para ser alcançado, conhecido. Imaginam que neste mundo existe uma informação certa, verdadeira, concreta, perfeita que precisa ser alcançada. Mas isso não existe: tudo neste mundo depende do que você diga que ele é, ou seja, depende do valor que você dá às coisas. Sendo assim, qualquer informação que você encontre não terá valor algum, a não ser aquele que você dê a ela.

É por isso que disse que a fé em si mesmo é um grande motor para a busca espiritual. Ter fé em você mesmo é colocar em prática o ensinamento que afirma que você já é tudo. Colocando este ensinamento em prática, ao invés de ficar importando soluções que não servem para você, ao invés de ficar se espelhando em posturas que não pertencem a você e verdades que nada têm a ver com a sua caminhada. Caminha-se para frente, para Deus, mas vocês não caminham assim porque ainda estão buscando algo para se apoiarem. 

Para quê buscar algo, se não há nada a ser buscado? Para quê analisar a sua verdade à luz da verdade dos outros, se tudo é apenas uma coisa: uma opinião individual. O melhor seria não buscar nada, mas se ainda quer buscar alguma coisa, construa suas próprias verdades.

Participante: Acredito no que o senhor fala, mas como conviver com os outros colocando isso em prática? Falo em convivência íntima, como, por exemplo, marido e mulher.

Tendo a sua verdade e dando ao outro o direito de ter a dele, ao invés de querer impor a sua a ele. 

Participante: É muito difícil pôr isso em prática...

Sabe por que é difícil? Porque você vive com medo de estar errado... Por isso falei na falta de fé em si mesmo...

Sabe quem é você? Deus... Se tudo que existe surge do ‘faça-se’ de Deus, você surge dessa forma. Portanto, você é Deus

Participante: Mas, e a sabedoria? Como ver-se como Deus sem sabedoria?

O que Cristo ensinou? Deus mostra ao simples o que esconde dos sábios... Sabe por que Ele ainda não mostrou a você que é Ele? Porque você é sábio... Seja simples e verá isso...

Mas o que é ser simples? É não ter sabedoria.

Participante: Eu disse que isso é muito difícil de ser colocado em prática porque no nosso dia a dia a pessoa que vive fora do padrão da humanidade é discriminada...

Por isso lhe respondi naquele momento sobre o medo. Muitos não colocam em prática a simplicidade exatamente por medo desta discriminação que podem sofrer por parte dos outros. Por isso continuam agindo como os outros. Agora saiba: se você alcançar a simplicidade, o que os outros vão falar de você não terá mais importância alguma.

Participante: Foi isso que Cristo afirmou quando disse que o reino está dentro?

Sim, o reino de Deus está dentro de cada um quer dizer que cada um já tem dentro de si tudo o que pode ter, tudo o que pode ser alcançado.

Você já tem dentro de si tudo o que precisa, pois, como Cristo ensinou, tudo está pronto. 

Participante: Eu busco novas informações...

Não importa o que você procure. O que são as novas e velhas informações: verdades... Então você não procura novas informações, mas apenas verdades. Mesmo que encontre alguma coisa, não encontrará nada novo, pois verdade você já tem dentro de si...

Participante: Quer dizer que a máxima que Cristo ensinou – conhece a verdade e ela o salvará – é acreditar no que você acredita?

Sim, acreditar nisso lhe salva, porque aí você pode colocar em prática os ensinamentos. Como pode praticar alguma coisa se não acredita naquilo? Se não acreditar no que acredita não colocará nada em prática, porque estará sempre procurando algo novo. 

Participante: A prática pode ser ensinada? 

Jamais, porque a prática também é uma verdade...

Participante: Verdade e conceito têm diferença?

Sim, as letras que compõem a palavra...

O conceito é uma informação que você tem. Quando acredita nela, esta se torna uma verdade. Portanto, verdade e conceito são apenas informações.

Mas, não é só a verdade que é um conceito: a mentira também é. Mentira é um conceito sobre o qual você tem uma verdade: a que ele é mentira...

Vocês estão se apegando à questão da verdade, querendo ter verdades sobre a verdade. Isso não é o mais importante desta conversa. O mais importante é saber que não há verdades, mas apenas informações que cada um chama de verdade.

Isso é importante ser conhecido porque só esta informação pode lhe levar a parar de buscar a verdade. Apenas conscientizando-se de que não existem verdades a serem alcançadas vocês podem parar de buscar informações externas e começarem a viver as que já possuem.

Participante: Então, a essência sobre a verdade é que ela é apenas aquilo que nós acreditamos que é. Como o senhor já disse antes, o que importa é a essência das coisas. Será que não poderíamos apenas viver da essência das coisas? 

Impossível, porque senão teria que haver uma essência para a essência que vocês vivessem.

Por favor, parem de tentar encontrar caminhos. Parem de tentar encontrar saídas diferentes da prática do ensinamento. O ensinamento diz que você já é tudo o que é, viva isso... Não fique tentando encontrar novas verdades, tentando criar caminhos que não seja aquele ensinado pelos mestres. 

Krishna nos ensinou que cada um age segundo a sua própria natureza. Portanto, não há como se criar uma natureza diferente daquela que você já tem para agir.

Pare de ficar buscando verdades ou novos conceitos para você, porque não há verdades que se encaixem melhor na sua caminhada do que aquelas que você já tem. São elas que vão servir como seu guia na sua caminhada. Enquanto vocês ficam procurando novas verdades para lhes guiarem, não caminham...

Ao invés de caminharem com o que têm, ficam esperando chegar uma verdade para caminhar. Só que, como não confiam nas verdades que têm, nunca caminham e continuam sempre buscando novas.

Participante: Esta ânsia de buscar novas verdades é uma tentação da mente?

Sim... Ela cria a informação de que existe um ensinamento muito bom de um novo mestre que precisa ser conhecido para que você se eleve e cria a ansiedade de buscá-la. Enquanto você vive isso como verdade não faz nada para caminhar para Deus.

Participante: Eu estou analisando a minha vivência com os seus ensinamentos da seguinte forma: O capitão vai fazer uma viagem longa, o navio vai trafegar no mar e os seus ocupantes vão ficar durante este período em ociosidade. Para isso ele inventa atividades para seus comandados (limpar o convés, as cabines, etc.). O capitão sabe que estas atividades durante a viagem são apenas ocupações temporárias no barco, mas que nada representam para a viagem em si, pois, para esta, o importante é a partida e a chegada em segurança. É isso, ou não tem nada a ver?

Eu não estou entendendo a perplexidade das pessoas que já me ouviram anteriormente com o que estou falando agora. Eu, durante todo este tempo, sempre falei em nossas conversas que estava criando novas verdades que um dia teria que destruir também. É o que estou fazendo agora...

Sabe, tudo o que você acha que aprendeu comigo, estou destruindo agora. 

Participante: Concordo com o senhor. Tudo que deixamos para trás não pertence mais a nossa caminhada.

O problema não é o que ficou para trás, mas o que você constrói à frente. Toda referência que você encontrar com os meus ensinamentos porque não pode haver nada à sua frente, a não ser Deus, que você não faz a mínima idéia do que seja.

Participante: Como, então, navegar sem bússola?

Guiando-se pelas estrelas...

Quem é a estrela que deve lhe guiar na caminhada para a elevação espiritual? Deus...

Guie-se por Deus, pois Ele é a Verdade. Vocês querem encontrar a Verdade? Ela é Deus. Mas, quem é Deus? Algo que você, humano, não tem condições de compreender, ou seja, não sabe. Portanto, para atingir a Ele, navegue pelo não saber, ao invés de querer cada vez saber mais...

Se Deus é a Verdade, só Ele a conhece. Se só Ele a conhece, para quê perder tempo querendo conhecer algo que não é Ele?

Participante: Se o caminho é Deus e se Ele é o nada...

Vocês ficam tentando fazer algumas especulações sábias e acabam se complicando. Eu nunca disse que Deus é o nada; afirmei que Ele é nada. Deus não pode ser o nada, porque o nada ainda é alguma coisa. Deus não é nada...

Sei que vocês vão dizer que isso é apenas um conceito, uma forma de se expressar, mas é exatamente esta forma de buscar se colocar que atrapalha todo o seu entendimento da caminhada. 

Quando tentam elucubrar sobre Deus ser nada, acabam criando um nada que dizem ser Deus. Será que vocês ainda não repararam que a cada pergunta que me fazem estão querendo criar uma sabedoria nova, uma cultura nova? Estão sempre querendo criar um norte para navegar e isso não há. Caminhar para Deus é caminhar se rumo, pois Ele próprio é o rumo da sua caminhada...

Este é o problema da caminhada para a elevação espiritual. Vocês estão sempre querendo construir alguma coisa, algumas compreensões. Estão sempre querendo construir uma auto via com pistas modernas para levar a Deus, quando o caminho que conduz a Ele é desbravar a mata cerrada, ou seja, caminhar sem compreensões.

Agora, se mesmo assim você quiser encontrar verdades, fabrique-as você mesmo, bebendo na fonte do mestre que você acredita.




Fonte: EEU - Espiritualismo Ecumênico Universal: www.meeu.com.br
Fonte http://anjodeluz.ning.com/profiles/blogs/pai-joaquim-fabrique-suas-pr-prias-verdades

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

terça-feira, 20 de setembro de 2011

A Recompensa em infelicidade


OSHO

A miséria tem muitas coisas para lhe dar que a felicidade não pode dar. De fato, a felicidade tira muitas coisas de você. A felicidade tira tudo aquilo que você sempre teve, tudo aquilo que você sempre foi, a felicidade lhe destrói.
A miséria nutre seu ego e a felicidade é basicamente um estado sem ego. Este é o problema, o ponto crucial do problema. Eis porque as pessoas acham muito difícil serem felizes.
Eis porque milhões de pessoas no mundo tem que viver na miséria… decidiram viver na miséria. Ela lhes dá um ego muito muito cristalizado. Sendo miserável, você é Feliz, mas você não é. Na miséria, a cristalização; na felicidade você fica dissolvido.
Se isso for entendido, então as coisas ficam muito claras. A miséria lhe torna especial. Felicidade é um fenômeno universal, não há nada especial sobre ela. As árvores são felizes e os animais são felizes e
os pássaros são felizes. Toda existência é feliz, exceto o homem. Sendo miserável, o homem se torna muito especial, extraordinário.
A miséria torna você capaz de atrair a atenção das pessoas. Quando você é miserável você é assistido, simpatizado, amado. Todo mundo começa a cuidar de você. Quem vai querer magoar uma pessoa miserável?
Quem tem ciúmes de uma pessoa miserável? Quem vai querer ser contra uma pessoa miserável? Isso poderia ser muito maldoso.
A pessoa miserável é cuidada, amada, assistida. Há um grande investimento na miséria. Se a esposa não for miserável o marido simplesmente tende a esquecê-la. Se ela for miserável o marido não pode se permitir a negligenciá-la. Se o marido for miserável toda a família, a esposa, as crianças, estão ao seu redor, preocupados com ele; isso dá grande conforto. A pessoa sente que ela não está só, a pessoa tem uma família, amigos.
Quando você está doente, depressivo, na miséria, os amigos vêm visitá-lo, vêm confortá-lo, vêm consolá-lo. Quando você está feliz, os mesmos amigos ficam com ciúmes de você. Quando você está realmente feliz, você vai ver que o mundo todo se voltou contra você.
Ninguém gosta de uma pessoa feliz, porque a pessoa feliz fere os egos dos outros.
Os outros começam a sentir, “Então você ficou feliz e nós ainda estamos rastejando na escuridão, na miséria e no inferno. Como você ousa ser feliz quando estamos todos em tal miséria!”
É claro que o mundo consiste de pessoas miseráveis e ninguém é bastante corajoso para ir contra o mundo inteiro; é muito perigoso, arriscado demais. É melhor se apegar à miséria, isso mantém você como
parte da multidão. Feliz, você é um indivíduo; miserável, você é parte da multidão – Hindu, Maometano, Cristão, Indiano, Árabe, Japonês.
Feliz? Você sabe o que a felicidade é? Ela é Hindu, Cristã, Maometana?
A felicidade é simplesmente felicidade. A pessoa é transportada para um outro mundo. A pessoa não faz mais parte do mundo que a mente humana criou, a pessoa não é mais parte do passado, da feia história.
A pessoa não é mais absolutamente parte do tempo. Quando você está realmente feliz, alegre, o tempo desaparece, o espaço desaparece.
Albert Einstein disse que no passado os cientistas costumavam pensar que haviam duas realidades – tempo e espaço. Mas ele disse que essas duas realidades não são duas – elas são duas faces de uma única
realidade. Dessa forma ele cunhou a palavra espaçotempo, uma única palavra. O tempo não é nada mais senão a quarta dimensão do espaço.
Einstein não era um místico, senão ele poderia ter introduzido a terceira realidade também – o transcendental, nem espaço nem tempo. Isso também está lá, eu o chamo de testemunha. E uma vez que esses três estão lá, você tem toda a trindade. Você tem todo o conceito do trimúrti, as três faces do divino. Assim você tem todas as quatro dimensões. A realidade é quadrimensional: três dimensões de espaço e a quarta dimensão do tempo.
Mas há algo mais, que não pode ser chamado de quinta dimensão, porque não é a quinta realidade, é o todo, o transcendental.
Quando você está feliz você começa a se mover para o transcendental.
Isso não é social, isto não é tradicional, não tem nada a ver com a mente humana, de forma alguma.
Osho, Extraído de: The Book of Wisdom

EEU - Espiritualismo Ecumênico Universal: www.meeu.com.br

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Convite para particípar das conversas interativas do EEU realizadas no PalTalk...

O EEU - Espiritualismo Ecumênico Universal, realiza conversas no paltalk todas ás terças feiras no horario dás 20:30hs... o nome da sala é (Espiritualismo Ecumênico)
maiores informações em: www.meeu.com.br

O Médium Firmino Leite e o amigo Espiritual Joaquim de Aruanda se revesam nas conversas das Terças Feiras, ou seja, em uma terça o Joaquim realiza á conversa, na outra terça é o Firmino que realiza.. e assim vai...

Sao todos bem vindos...!!