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sábado, 28 de julho de 2012

http://3fasesdalua.blogspot.com.br/2012/07/universo-simbolico-o-axioma-de-maria.html

Universo Simbólico- O Axioma de Maria por Danjelo Terah

Olá pessoal, uma vez eu aprendi este ensinamento e até hoje ainda o lembro, e acredito que nunca o esquecerei. Não porque seja uma filosofia cheia de palavras bonitas, nem porque seja algo fácil, muito menos porque eu o decorei, mas por um motivo que vai além do seu simbolismo, único e exclusivo: Eu o Sinto! Estamos na Lua do Lobo, um momento de entendermos as nossas sombras e nos livrarmos do velho para dar lugar ao novo, e nesta egrégora lunar podemos encontrar muitas respostas em meio a tanta névoa.

Um Axioma na lógica tradicional são sentenças que não são provadas , mas que se resumem ao óbvio, e são consideradas guias para a criação de uma teoria. 

Esse Axioma é de Maria...mas...Qual???

Maria, a Judia, ou Maria, a Profetisa, ou Miriam, irmã de Moisés, é uma antiga filósofa grega e famosa alquimista que viveu no Egito por volta do ano 273 a.C..

Miriam terá sido uma das parteiras que se recusou a cumprir as ordens do faraó (deitar ao Nilo todos os meninos hebreus recém-nascidos). Maria, a Judia, ou Maria, a Profetisa ou Miriam, meia-irmã de Moisés é referida na Torah (תּוֹרָה) ; aliás, é a primeira mulher referida na Torah como profetisa (ha-Naviá ) e é atribuído a ela um papel fundamental na sobrevivência do povo de Israel, no Egito, tendo participado também na travessia do mar vermelho.

 Alguns a situam na época de Aristóteles (384–322 a.C.), uma vez que a concepção aristotélica dos quatro elementos formadores do mundo (o fogo, o ar, a terra e a água) condiz bastante com as idéias alquimistas de Maria.

Eis o seu Axioma:

 "O Um torna-se Dois, o Dois torna-se Três, o Três torna-se Quatro, que novamente torna-se Um, assim os Dois são apenas Um...Inventa a natureza e encontrarás o que procuras, Una o macho e a fêmea e encontarás o que é procurado..." ( Maria, a judia, 300 a.c.)

"Quando estamos apenas com os nossos pensamentos, somos "Um" . Somente nos tornamos "Dois" quando nos enxergamos no próximo. Quando olhamos para ele e nos vemos começamos a compreender, a perdoar e a amar.

 O "Dois" torna-se "Três", quando enxergamos a Divindade através do próximo, pois Deus está em cada um, porém só enxergaremos isso quando tomarmos ciência de que todos somos Um.

O " Três" torna-se "Quatro", quando essa consciência de Divindade que habita em nós e nos outros nos atinge, estamos prontos para sermos Unos com os Elementos. 

O "Quatro" é novamente "Um", quando o conhecimento Divino-Elemental é nossa própria essência, e estamos prontos para um novo grau na escala da evolução. Somos "Um" novamente, porém num nível acima do anterior, rumo a uma evolução contínua que nos levará de volta para a Fonte, e assim perceberemos que as varias fases de nossa vida não passam de estágios do mesmo propósito."

Essa é a Alquimia da Alma, um ingrediente raro, que na dosagem certa é elixir para toda vida!

 A todos, Espero que tenham gostado.

Texto de D’anjelo Terah
fONTE : http://3fasesdalua.blogspot.com.br/2012/07/universo-simbolico-o-axioma-de-maria.html

sábado, 14 de janeiro de 2012

Para de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja?


Para de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti.
Para de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti.
Para de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau.O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Para de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho... Não me encontrarás em nenhum livro! Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?
Para de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor. Para de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz... Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida,que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada,terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste... Do que mais gostaste? O que aprendeste?
Para de crer em mim - crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Para de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?...
Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar. Para de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas.
Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro... aí é que estou, batendo em ti.
Texto atribuído a Baruch Spinoza (1632-1677)
Fonte :http://anjodeluz.ning.com/profiles/blogs/para-de-louvar-me-que-tipo-de-deus-eg-latra-tu-acreditas-que-eu 

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Filosofia Tolteca - "Re-aprendendo a ver o mundo"


OS QUATRO COMPROMISSOS

1 - SEJA IMPECÁVEL COM SUA PALAVRA
É o compromisso mais importante. É através da palavra que expressamos nosso poder criativo, quer seja através da fala ou do pensamento. É o mais poderoso instrumento que possuímos, e tanto pode ser usado para nos libertar como para nos escravizar.

O primeiro passo é ter consciência do poder da palavra. E aí então, torná-la impecável. Impecável significa "sem pecado". Bom, mas o que é pecado? Pecado é quando vamos contra a nossa natureza mais íntima, a nossa essência. Ou seja, sempre que nos julgamos, estamos pecando. Sempre que nos julgamos, nos criticamos, nos culpamos, nos condenamos, estamos pecando. E isso cria uma série de conflitos em nossa vida. E assim sem percebermos vamos nos escravizando a esses conflitos.

Se passarmos a sermos impecáveis com nossa palavra iremos, pouco a pouco, re-criar nossa vida na direção do bem, do amor, da harmonia. E nos libertar do conflito.

Esse é um compromisso difícil de assumir, pois vai contra muito do que nos ensinaram. Por isso que é fundamental, antes de tudo, acreditar no poder da palavra, pois foi esse mesmo poder, usado erradamente, que criou tanto conflito em nossa vida.

O próximo passo é assumir consigo mesmo o compromisso de sermos impecáveis com nossa palavra. Devemos observar a nós mesmos, o que dizemos, o que pensamos, e ir modificando nossa palavra. Observar a forma como falamos com nós mesmos (nosso diálogo interior) e evitar qualquer pensamento de crítica, julgamento, culpa, substituindo - os por pensamentos de apoio, afeto, confiança, aceitação. Aos poucos vamos realizando também esse processo na forma como lidamos com os outros, como falamos com eles, como pensamos sobre eles.

Ser impecável com nossa palavra é usar nossa palavra para cultivar a semente do amor que existe em nós. É só em terreno fértil que esse amor pode crescer e frutificar. lembre-se: A fala é poderosa, com construimos ou destruimos

2 - NÃO LEVE NADA PARA O LADO PESSOAL
Se você leva as coisas pro lado pessoal é porque, em algum nível, você concorda com o que está sendo dito. Nós costumamos levar as coisas pro lado pessoal devido a uma coisa chamada "importância pessoal". Achamos que tudo o que acontece a nossa volta tem a ver conosco. Será que tem mesmo? O que os outros fazem, dizem ou pensam tem a ver com a forma como os outros vêem o mundo, e não tem nada a ver com você. Já parou pra pensar nisso?

Os outros vêem o mundo baseado nos compromissos que assumiram consigo mesmos (suas crenças) e isso não tem nada a ver com você. Quando você se sente ofendido ou magoado por outra pessoa sua reação é defender seus compromissos (suas crenças) como algo certo, estabelecido, como uma "verdade", quando são apenas suas crenças. Saiba que os outros não tem nada a ver com suas crenças.

Daí tantos conflitos e tanto caos criado em nossas vidas. Eu levo tudo pro lado pessoal, e os outros também. Eu defendo meus pontos de vista e os outros defendem os pontos de vista deles.  Não deveríamos levar nada para o lado pessoal, nem as críticas e nem os elogios.

Não levar nada para o lado pessoal é viver em estado de tal amor que todo o mundo ao nosso redor é visto por esse prisma, sob o ponto de vista do AMOR. Se vejo tudo com olhos amorosos, me liberto das críticas e até dos elogios. O contrário do amor é o medo, e quanto mais medo tivermos em nós, mais levaremos as coisas para o lado pessoal, criando caos e conflito.

Escolha: quero ver o mundo com olhos medrosos? Ou quero ver o mundo com olhos amorosos? Assuma o compromisso de não levar nada para o lado pessoal, vendo tudo com olhos amorosos. Não faça do lixo alheio o seu próprio lixo.

3 - NÃO TIRE CONCLUSÕES
Temos tendência a tirar conclusões, suposições sobre tudo, a presumir verdades. É por isso que levamos tudo pro lado pessoal, porque acreditamos em nossas conclusões, em nossas "verdades", e como criamos conflito por isso...

Buscamos conclusões porque buscamos nos sentir seguros. Tiramos conclusões até de nós mesmos. De onde você acha que vem nosso autojulgamento? De nossas conclusões sobre nós mesmos! Não tirar conclusões significa viver a vida como ela é, dinâmica, viva, aberta, eternamente em movimento. Pare de presumir verdades e simplesmente viva!

Claro que você pode saber mais sobre uma pessoa ou uma situação. Nesse caso, faça perguntas, quantas achar necessário, mas nunca ache que você detém toda a verdade. Tal coisa é impossível..

4 - DÊ SEMPRE O MELHOR DE SI
Esse compromisso se refere a ação dos três compromissos anteriores. Sempre dê o seu melhor, mas lembre que esse melhor nunca será o mesmo, pois tudo sempre está mudando. Lembra quando disse que a vida é dinâmica, aberta, sempre em movimento? Pois é! Por isso, não busque aquele melhor idealizado que só existe nos filmes e que nos ensinaram (esse melhor idealizado só serve pra nos criticarmos, pois nunca conseguimos atingi-lo).

Dar o melhor de si significa não se esforçar exageradamente nem fazer corpo mole. Dê o seu melhor de cada momento, nem mais, nem menos. Quando você faz o seu melhor pode ter prazer na ação, ao invés de fazer as coisas apenas esperando resultados, apenas esperando a recompensa


Os quatro compromisso, livro da filosofia Tolteca
Autor - Don Miguel Ruiz
Fonte : http://claudiovelasco.ning.com/profiles/blogs/filosofia-tolteca-re-aprendendo-a-ver-o-mundo

terça-feira, 11 de outubro de 2011

A Sabedoria Ecológica dos Indígenas


 
O Que Temos a Aprender com os Povos Tradicionais
 
 
Carlos Cardoso Aveline 

 

 
Capa do livro ‘A vida Secreta da Natureza’
 
 
 
 
Em vários aspectos, o mais novo e o mais velho se unem hoje para renovar e ampliar radicalmente nosso modo de enxergar a realidade.
 
Nas últimas décadas do século 20, a vanguarda da física redescobriu a  filosofia esotérica através de Fritjof Capra,  David Bohm e outros. O químico da NASA Jim Lovelock  descobriu que o planeta Terra pode ser considerado um ser vivo - como pensava o mundo grego-   e criou a teoria de Gaia. Na biologia,  Rupert Sheldrake  resgatou velhos conceitos  da filosofia do oriente, especialmente o akasha e a luz astral, através de modernos métodos experimentais.  Estas mudanças na visão científica do mundo estabelecem as bases para uma relação inteiramente nova entre ser humano e ambiente natural, e nos fazem compreender, também,  que podemos aprender grandes  lições avaliando melhor a filosofia de vida dos primeiros  habitantes da América.
 
Segundo a ecologia profunda,  todos os seres têm - em princípio -  igual direito à vida. Esta corrente de pensamento aberta e sem dogmas foi criada  na Noruega no início da década de 70 pelo filósofo e músico Arne Naess.  Nos últimos anos os livros e seminários dedicados ao tema têm ganhado espaço rapidamente, inclusive no Brasil.
 
Embora seja moderno na aparência e inspire uma nova geração de cientistas,  este modo de enxergar a vida é antigo e tradicional. O maior e mais famoso  manifesto de ecologia profunda que conheço foi escrito  pelo chefe Seattle,  dos índios norte-americanos  Duwamish, em 1855, isto é, onze  anos antes de o biólogo alemão Ernest Haeckel propor pela primeira vez, em 1866, a criação de uma “nova disciplina” a ser chamada no futuro de “ecologia”. O chefe Seattle perguntou ao presidente norte-americano Franklin Pearce, que lhe havia proposto comprar as terras indígenas:
 
“É possível comprar ou vender o céu e o calor da terra? Tal idéia é estranha para nós. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como você poderá comprá-los? Cada pedaço desta terra é sagrado para o meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada areia da praia, cada bruma nas densas florestas, cada clareira e cada inseto a zumbir são sagrados na memória do meu povo. A seiva que corre através das árvores carrega as memórias do homem vermelho.”
 
A idéia central da ecologia profunda é abandonar a idéia de que a natureza é apenas  um amontoado de “recursos naturais”. Todo egoísmo tem uma vocação inevitável para o fracasso, e as políticas de preservação ambiental implantadas no século 20 fracassaram amplamente  porque partiam de uma filosofia baseada na idéia de que o homem pode usar e abusar da natureza.   Quando você parte de uma premissa falsa, seu raciocínio e sua prática estão destinados à derrota. Só quando deixamos  de lado a  impressão ilusória de que o homem é o centro do universo passa a ser  possível, para nós, perceber  que pertencemos à natureza, somos seus filhos  e devemos respeitá-la.   A premissa correta, centro da  filosofia do futuro,  afirma que a alma da vida universal está presente em todas as coisas,  e o homem é parte dela. Cabe a ele, agora, ser consciente disso. Assim a preservação ambiental terá êxito. Nas palavras do chefe Seattle:
 
“Os rios são nossos irmãos, eles saciam nossa sede. Os rios transportam nossas canoas e alimentam nossas crianças.  Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar às suas crianças que os rios são nossos irmãos, e seus também, e vocês devem, daqui em diante, dar aos rios a bondade que dariam a qualquer irmão.”
 
Em uma análise comparativa, poucos deixariam de afirmar que nossa civilização tecnológica é mais avançada que a dos índios peles vermelha. Mas o que estamos fazendo com nossas crianças? Abandonando-as?  Matando-as? Prostituindo-as?  O que são os assaltantes das grandes cidades além de crianças abandonadas que cresceram aprendendo violência?
 
Considerando o que estamos fazendo com nossos rios e florestas  e também o grau de violência, corrupção e poluição que há em nossas cidades,  em  que coisas somos de fato melhores, e em que aspectos somos mais bárbaros,  mais violentos e atrasados que os indígenas das Américas tradicionais?
 
“Não há um lugar calmo nas cidades do homem branco”, afirma a carta dos duwamish: “Nenhum lugar para escutar o desabrochar de folhas na primavera ou o bater das asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreenda. O ruído parece apenas insultar os ouvidos. E o que resta da vida, se o homem não pode escutar o choro solitário de um pássaro ou o coaxar dos sapos em volta de uma lagoa à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio aroma do vento, limpo por uma chuva do meio-dia, ou perfumado pelos pinheiros.”
 
Recuperar a capacidade de conviver com o mundo natural  é avançar em direção àquele futuro em que as cidades trarão para si o melhor do campo,  e o campo terá em si o melhor das cidades. Então desaparecerão as doenças físicas e emocionais  causadas pela tensão nervosa das grandes cidades. Desaparecerão fenômenos como a síndrome do pânico, a insegurança das ruas modernas ou a violência contra os agricultores sem terra. E  ainda respiraremos melhor, como os indígenas faziam. Também neste aspecto, temos a aprender com eles:
 
“O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro. O animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. O homem branco parece não sentir o ar que respira. Como um animal que agoniza há vários dias, ele é incapaz de sentir o mau cheiro. (...) Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas crianças. Tudo o que ocorrer com a terra, ocorrerá com os filhos da terra. Se os homens desprezam o solo, estão desprezando a si mesmos. A terra não pertence ao homem. O homem pertence à terra. (1)
 
Um testemunho menos conhecido, mas não menos belo, foi deixado a nós pelo chefe  Urso-em-pé, dos Lakota. Ele disse, lembrando de tempos anteriores:
 
“Os velhos Lakota amavam o solo e sentavam-se ou reclinavam-se no chão com o sentimento de estarem próximos de um poder maternal. Era bom para a pele tocar a terra, e os velhos gostavam de se descalçar e andar com os pés nus sobre a terra sagrada. As tendas eram erguidas sobre a terra, e os altares feitos de terra. O solo era tranquilizante, revigorador, purificador e medicinal. Por isso é que os velhos índios ainda se sentam diretamente na terra, fonte de suas forças vitais. Para eles, sentar-se ou deitar-se no chão permite pensar com mais profundidade e sentir com mais clareza; podem penetrar nos mistérios da vida e descobrir seu parentesco com outras formas de vida ao redor. (...) Os velhos Lakota eram sábios. Sabiam que o coração do homem distante da natureza se torna duro; sabiam que a falta de respeito pelas coisas vivas leva imediatamente à falta de respeito pelos humanos”. (2)
 
Urso-em-pé mencionou aqui uma causa central da violência e degeneração da vida emocional das grandes cidades. Dominadas hoje por meios eletrônicos de “comunicação” cuja influência parece crescer lado a lado com a falta de comunicação real entre seres humanos, as cidades degeneram pelo seu distanciamento da natureza e dos seus ritmos vitais básicos.  Como um animal em cativeiro que perde a alegria de viver, o ser humano distante da natureza é  preso por suas preocupações pessoais,  e dificilmente encontra paz, dentro ou fora de si.  O resultado é a violência: primeiro em pensamento e sentimento, e depois na realidade externa.
 
Por outro lado, temos alguns erros em comum com as sociedades indígenas e um deles é a superstição. A maior parte da população brasileira atual, herdeira da cultura européia, ainda é guiada por fortes crenças ilusórias. Algumas das nossas superstições são materialistas (como pensar que o dinheiro traz felicidade), e outras são religiosas (como a de pensar que, para ser religioso, basta adorar e pedir favores a um Deus em forma humana).  Até mesmo nossos modernos pajés, os cientistas e intelectuais, participam em grande parte das superstições coletivas da nossa civilização.
 
Os indígenas também tinham uma visão relativamente estreita do mundo. Vemos com facilidade os erros do pensamento indígena tradicional,  porque  é sempre fácil enxergar os defeitos alheios e nossas limitações são outras. Mas apesar das cegueiras culturais, dos tabus e nacionalismos  tribais,  havia em todas as sociedades indígenas   como há hoje na nossa  uma tradição de sabedoria transcendental. Ela permanecia  à disposição dos que estavam prontos e eram capazes de erguer os olhos para ela. Quando o aprendiz está pronto, a sabedoria aparece  em qualquer tempo e lugar.
 
Certo dia o indigenista brasileiro Orlando Villas Bôas ficou surpreso ao conversar com um pajé do rio Xingu, o mais versado, ali,  nos conhecimentos que vão além do saber comum. Ele conta o fato em seu livro “A Arte dos Pajés” (3). Um pajé de meia-idade, Arru, chegou  do mato cansado de caminhar e sentou-se ao lado de Orlando.
 
“Lá é o céu”, diz Arru, apontando para o alto.
“Sei”, responde Orlando.
“Lá é a aldeia dos que morrem”.
“Sei”, diz Orlando, conhecedor da cultura indígena.
Depois de um momento em silêncio, olhando bem para o alto, Arru acrescenta:
“Lá no céu do céu... ela está lá”.
Orlando pensa que quem está lá no céu do céu deve ser  um deus antropomórfico.
“Quem está lá? Um índio velho que sabe tudo?”
A resposta de Arru é enfática: 
“Não, apenas uma sabedoria”.
 
O pajé do Xingu surpreendeu Orlando mostrando que acreditava na existência de uma lei ou sabedoria universal, e que estava livre da superstição de um deus em forma humana, de quem se pode obter favores pessoais fazendo-lhe  homenagens como a um rei todo-poderoso.
 
O diálogo entre Villas Bôas e Arru tem outros aspectos interessantes. A “aldeia dos que morrem”, que existe no céu dos índios xinguanos, é um conceito equivalente, de certo modo, ao kama loka da filosofia esotérica. Para o kama loka vão os níveis intermediários da consciência de um ser humano fisicamente morto. Ali, os níveis médios de consciência passam por  uma purificação que dará lugar ao devachan ou bem-aventurança, um longo período de descanso antes de um novo renascimento. O devachan  pode  ter uma relação com a “terra sem males” dos tupis brasileiros,  local mítico e  não-espacial. Ali ninguém morre ou adoece, a lavoura se trabalha sozinha e  a colheita ocorre sem que seja necessário fazer esforço.
 
Do ponto de vista esotérico, não se conhece muitas referências complexas ou exatas ao processo pós-morte na tradição indígena das Américas. Porém, na sua simplicidade, todos os povos indígenas reconhecem a existência de um mundo sutil ou astral em que são registrados os nossos atos e no qual  vivem seres invisíveis, ao lado das forças arquetípicas da natureza e dos seres  que se foram do mundo físico.
 
“Há na cultura indígena uma total dependência da criatura com o mundo sobrenatural”, escreveu Villas Bôas. Se trocarmos a palavra “sobrenatural” por “astral” a frase fica perfeita do ponto de vista esotérico e se aplica não só aos indígenas, mas a todos os povos e seres do mundo em todos os tempos. O mundo físico inteiro é reflexo do mundo astral e, por isso, depende dele. Todas as relações de causa e efeito operam no mundo astral, que é perfeitamente natural, porém invisível ao olhar físico, e que, em seus níveis superiores, leva à vida especificamente imortal e espiritual em que se localiza o devachan e se alcança o nirvana.
 
As culturas indígenas populares tinham acesso a uma versão simplificada da sabedoria espiritual dos descendentes de Atlântida. Depois da destruição daquele continente, o conhecimento iniciático e esotérico foi inteiramente reorganizado. Então, da Índia e Egito antigos surgiu uma nova série de civilizações que dura até hoje. Esotericamente, considera-se que os indígenas americanos são descendentes da tradição espiritual Atlântida, que corresponde à quarta raça-raiz, segundo Helena Blavatsky. A nossa quinta raça-raiz, mais racional, perdeu a antiga intuição humana. Mas já começa a recuperá-la em um nível superior, combinando o método científico experimental com a antiga capacidade de comunhão com a natureza e o respeito por todos os seres, habilidades que as sabedorias  indígenas, sobreviventes da tradição atlântida, ainda mantêm intactas.
 
As tradições do extremo oriente são outras tantas  ramificações da quarta raça-raiz e têm ensinado lições de grande valor ao nosso confuso ocidente através da medicina tradicional,  da meditação zen, das artes marciais de fundo espiritual, do taoísmo,  e do feng-shui, para citar alguns poucos exemplos.  Helena Blavatsky afirma em seu livro clássico “A Doutrina Secreta” que desde o século 19 surgem, aqui e ali, os primeiros cidadãos da sexta raça-raiz(4). Eles não podem ser identificados por qualquer característica fisica, mas sim por uma percepção intuitiva dos princípios da sabedoria e da fraternidade universal que guiarão a humanidade, de modo consciente,  no futuro. Para a ciência esotérica, a fraternidade universal da humanidade é uma lei, e a diversidade racial é indispensável à evolução.
 
Neste momento, é essencial que saibamos repensar nosso processo civilizatório. Que possamos parar a destruição dos ambientes naturais que permanecem vivos; que respeitemos os povos que preservam o conhecimento de como viver em intimidade com a natureza. É essencial que possamos proteger nossas crianças, símbolos do nosso futuro, e que possamos aprender aquela sabedoria universal que permeia a história de todos os povos, independentemente das características físicas, hábitos culturais ou níveis de desenvolvimento tecnológico dos seus cidadãos.
 
Devemos ter a humildade necessária para reconhecer que os povos mais desenvolvidos tecnologicamente nem sempre foram os mais sábios, e que hoje somos um notável exemplo disso. Devemos ser capazes de lembrar que, como escreveu o chefe Seattle, “os cumes rochosos, os sulcos úmidos do campo, o calor do corpo do potro e o homem, todos pertencem à mesma família”.   
 

NOTAS
 
(1) “Preservação do Meio Ambiente – Manifesto do chefe Seattle ao Presidente dos EUA”, Editora Interação/Fundação SOS Mata Atlântica, SP, 1989.
 
(2) “Pés Nus Sobre a Terra Sagrada”, Compilador: T.C. McLuhan, Ed. L&PM, Porto Alegre, 1994, ver pp. 13-14.
 
(3) “A Arte dos Pajés”, de Orlando Villas Bôas, Editora Globo, 2000, ver pp. 89-90.
 
(4) “A Doutrina Secreta”, de H. P. Blavatsky, Ed. Pensamento, SP, edição em 6 volumes, ver volume 3, p. 462.
 
Fonte : www.FilosofiaEsoterica.com
 

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A IMORTALIDADE D'ALMA: HUBERTO ROHDEN E SÓCRATES



A IMORTALIDADE D'ALMA: HUBERTO ROHDEN E SÓCRATES


CONHECE-TE A TI PRÓPRIO E SERÁS IMORTAL ...

“Alguns séculos antes de Cristo, vivia em Atenas, o grande filósofo Sócrates.
A sua filosofia não era uma teoria especulativa, mas a própria vida que ele vivia.
Aos setenta e tantos anos foi Sócrates condenado à morte, embora inocente.

Enquanto aguardava no cárcere o dia da execução, seus amigos e discípulos moviam céus e terra para o preservar da morte.

O filósofo, porém não moveu um dedo para esse fim; com perfeita tranqüilidade e paz de espírito aguardou o dia em que ia beber o veneno mortífero.


Na véspera da execução, conseguiram seus amigos subornar o carcereiro (desde daquela época já existia essa prática...), que abriu a porta da prisão.

Críton, o mais ardente dos discípulos de Sócrates, entrou na cadeia e disse ao mestre:

- Foge depressa, Sócrates!
- Fugir, por que? - perguntou o preso.
- Ora, não sabes que amanhã te vão matar?
- Matar-me? A mim? Ninguém me pode matar!
- Sim, amanhã terás de beber a taça de cicuta mortal - insistiu Críton.
- Vamos, mestre, foge depressa para escapares à morte!

- Meu caro amigo Críton - respondeu o condenado - que mau filósofo és tu! Pensar que um pouco de veneno possa dar cabo de mim ...

Depois puxando com os dedos a pele da mão, Sócrates perguntou:
- Críton, achas que isto aqui é Sócrates?

E, batendo com o punho no osso do crânio, acrescentou:
- Achas que isto aqui é Sócrates? ... Pois é isto que eles vão matar, este invólucro material; mas não a mim. EU SOU A MINHA ALMA. Ninguém pode matar Sócrates! ...

E ficou sentado na cadeia aberta, enquanto Críton se retirava, chorando, sem compreender o que ele considerava teimosia ou estranho idealismo do mestre.

No dia seguinte, quando o sentenciado já bebera o veneno mortal e seu corpo ia perdendo aos poucos a sensibilidade, Críton perguntou-lhe, entre soluços:

- Sócrates, onde queres que te enterremos?

Ao que o filósofo, semiconsciente, murmurou:

- Já te disse, amigo, ninguém pode enterrar Sócrates ... Quanto a esse invólucro, enterrai-o onde quiserdes. Não sou eu... EU SOU MINHA ALMA...

E assim expirou esse homem, que tinha descoberto o segredo da FELICIDADE, que nem a morte lhe pôde roubar.
CONHECIA-SE A SI MESMO, O SEU VERDADEIRO EU DIVINO. ETERNO. IMORTAL..."

Assim somos todos nós seres IMORTAIS, pois somos
ALMA,
LUZ,
DIVINOS,
ETERNOS...
Nós só morremos, quando somos simplesmente ESQUECIDOS...
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Postado por Blog do Cosmonauta às Quarta-feira, Março 26, 2008
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No ano 399 antes da era cristã, o Tribunal dos Heliastas, composto por representantes das dez tribos que compunham a democrata Atenas, reunia-se com seus 501 membros para cumprir uma obrigação bastante difícil.

Representantes do povo, escolhidos aleatoriamente, estavam ali para julgar o filósofo Sócrates.

O pensador era acusado de recusar os deuses do Estado, e de corromper a juventude.

Figura muito controversa, Sócrates era admirado por uns, criticado por outros.

Tinha costume de andar pelas ruas com grupos de jovens, ensinando-os a pensar, a questionar seus próprios conhecimentos sobre as coisas e sobre si mesmos.

Sócrates desenvolveu a arte do diálogo, a maiêutica, este momento do “parto” intelectual, da procura da verdade no interior do homem.

Seus dizeres “Só sei que nada sei” representam a sapiência maior de um ser, reconhecendo sua ignorância, reconhecendo que precisava aprender, buscar a verdade.

Por isso foi sábio, e além de sábio, deu exemplos de conduta moral inigualáveis.

Viveu na simplicidade e sempre reflectiu a respeito do mundo materialista, dos valores ilusórios dos seres, e das crenças vigentes em sua sociedade.

Frente a seus acusadores foi capaz de lhes deixar lições importantíssimas, como quando afirmou:

“Não tenho outra ocupação senão a de vos persuadir a todos, tanto velhos como novos, de que cuideis menos de vossos corpos e de vossos bens do que da perfeição de vossas almas.”

O grande filósofo foi condenado à morte por cerca de 60 votos de diferença.

A grande maioria torcia para que ele tentasse negociar sua pena, assumindo o crime, e tentasse livrar-se da punição capital, com pagamento de algumas moedas.

Com certeza, todos sairiam com as consciências menos culpadas.

Todos, menos Sócrates que, de forma alguma, permitiu-se ir contra seus princípios de moralidade íntimos. Assim, aceitou a pena imposta.

Preso por cerca de 40 dias, teve chance de escapar, dado que seus amigos conseguiram uma forma ilícita de dar-lhe a liberdade.

Não a aceitou. Não permitiu ser desonesto com a lei, por mais que esta o houvesse condenado injustamente. Mais uma vez exemplificou a grandeza de sua alma.

E foram extremamente tranquilos os últimos instantes de Sócrates na Terra.

Uma calma espantosa invadia seu semblante, e causava admiração em todos que iam visitá-lo.

Indagado a respeito de tal sentimento, o pensador revelou o que lhe animava o espírito:

“Todo homem que chega aonde vou agora, que enorme esperança não terá de que possuirá ali o que buscamos nesta vida com tanto trabalho!

Este é o motivo de que esta viagem que ordenam me traz tão doce esperança.”

Sim, Sócrates tinha a certeza íntima da imortalidade da alma, e deixou isso bem claro em vários momentos de seus diálogos.

A perspicácia de seus pensamentos e reflexões já haviam chegado a tal conclusão lógica.

O grande filósofo partia, certo de que continuaria seu trabalho, de que prosseguiria pensando, dialogando, e de que desvendaria um novo mundo, uma nova perspectiva da vida, que é uma só, sem morte, sem destruição.

O Codificador da Doutrina Espírita, Allan Kardec, indagou aos imortais:

“No momento da morte, qual o sentimento que domina a maioria dos homens? A dúvida, o medo ou a esperança?”

Ao que os Espíritos lhe respondem:

“A dúvida para os descrentes endurecidos; o medo para os culpados; a esperança para os homens de bem.”

Que possamos todos, a exemplo de Sócrates, deixar este mundo com o coração repleto de esperança.

Texto da Redação do Momento Espírita com base no livro O Fédon, de Platão, Colecção Filosofia – Textos nº 4. ed. Porto e no livro Apologia de Sócrates, de Platão, Colecção Aos pensadores, ed. Nova Cultural
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Clique aqui para ler mais: http://www.forumespirita.net/fe/imortalidade-da-alma/socrates-e-a-i...
Fonte : Sonia Ollé em 7 outubro 2011 às 17:03

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Um pouco de antroposofia…

antroposofia
O texto abaixo, é um artigo retirado da Revista Vida Simples (escrito por Aline Salve) que fala sobre a antroposofia, o seu significado e a sua forma de ver o mundo e as pessoas. É um texto longo, mas vale a pena conhecer mais sobre este assunto.
A antroposofia está fascinando muitos brasileiros. Pelo menos 700 médicos utilizam-se de seus princípios, recorrendo a chás e outras receitas caseiras e evitando o excesso de medicamentos. E já há 13 escolas, disputadíssimas, nas quais as crianças aprendem primeiro a viver a vida, envolvidas em atividades realmente infantis, em vez de serem preparadas precocemente para o mercado de trabalho. Existe também um grande laboratório (Weleda), que fabrica remédios, chás e cosméticos naturais, uma editora (Antroposófica), com dezenas de títulos publicados, e até o luxo de uma rede de produtores agrícolas biodinâmicos, que fornece queijos, iogurtes, pães, verduras e frutas de qualidade muito especial. 
Criada no começo do século XX pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), essa ciência humanista vem sendo aplicada mundialmente em áreas tão diversas como medicina, educação, agricultura, economia, farmacologia, teatro e artes plásticas, organização social e espiritualidade. Ao pé da letra, trata do conhecimento (sofia, no grego) sobre o ser humano (antropos). 
Seu princípio fundamental é a conexão entre o homem, a natureza e o sagrado, que se manifesta em todos os fenômenos, em nível interno e externo, anímico e material. A antroposofia acredita que é preciso desenvolver o homem integralmente, considerando sua alimentação, moradia, relacionamentos sociais e econômicos, bem como sua formação intelectual e sua espiritualidade. Um rio de obviedades, com as quais a maioria de nós concorda perfeitamente. A diferença é que os seguidores da antroposofia não apenas concordam como agem de acordo, na contracorrente, mostrando que é possível compor e manter uma sociedade alternativa mesmo dentro das grandes cidades. 
Até a década passada, antroposofia era “coisa de alemão”. Em São Paulo, ficava restrita à Escola Waldorf Rudolf Steiner, inaugurada em 1956, e à pequena comunidade que se reunia para o ato de consagração dominical – uma missa comovente baseada no Cristianismo primitivo, onde se comunga pão e vinho e se fala com naturalidade sobre a presença dos anjos na vida cotidiana. 
Também criada no final dos anos 50, a Clínica Tobias recebia clientes para toda a sorte de terapias, abrigando consultórios de médicos especialistas, instruídos pelos ensinamentos deixados por Steiner 40 anos antes. Aos poucos, as curas com base em boa alimentação, tratamentos naturais, massagens, música, expressão artística e outras técnicas incomuns ganharam fama por aqui. 
No começo, as consultas pareciam meio estranhas. Podia-se sair dali com a receita de um escalda-pés ou uma série de lavagens intestinais. Aconselhava-se a manter os pés quentes e, no inverno, usar chapéu – nossas sábias avós diziam a mesma coisa. Numa época em que ninguém falava de energia vital, os médicos antroposóficos procuravam equilibrá-la com a utilização de sons e gestos corporais, numa técnica chamada euritmia curativa. E, em vez de remédios sintéticos, recomendavam comida boa, massagens, chás e aconchego. 
Médicos, dentistas e terapeutas passaram a procurar os cursos de especialização promovidos pela Sociedade de Medicina Antroposófica. Queriam ampliar seu conceito de medicina, para tratar o corpo físico levando em conta a força vital, os sentimentos, as emoções e a espiritualidade de cada um – os alicerces da antroposofia, que, em muito, se assemelha a outras sabedorias orientais e mesmo à de sociedades primitivas. 
Steiner, formado em Ciências Exatas e editor das idéias científicas de Goethe – sim, o poeta e escritor alemão do século XIX, que era também um arguto observador da natureza -, jamais abandonou o rigor nas suas pesquisas. “Ele não queria destruir a ciência, só ampliá-la”, explica Valdemar Setzer, professor do Instituto de Matemática da Universidade de São Paulo (USP) e um dos responsáveis pelo curso Introdução à Antroposofia, da Sociedade Brasileira de Antroposofia. “Steiner sabia que não existe apenas o mundo físico e que a cura envolve também os campos bio-energéticos mais sutis do ser humano.” 
Diz-se de Rudolf Steiner que podia observar nas pessoas a energia que as cercava e permeava. Essa energia, segundo ele, era diferente de acordo com a natureza dos sentimentos e das emoções. E turvava-se no caso de doenças que ainda não haviam se manifestado no corpo físico. 
Os quatro corpos
Durante alguns anos, Steiner esteve ligado à teosofia, sistema espiritual e filosófico que dividia os campos energéticos do homem em quatro diferentes corpos. Para os teosóficos, o corpo físico, considerado o primeiro corpo, é apenas a parte mais densa, material e visível dos outros três, feitos de substâncias mais finas, invisíveis aos olhos e não detectáveis por qualquer método ou aparelho científico. O segundo corpo é uma espécie de campo de força vital, chamado corpo etérico ou campo plasmador de energia. O terceiro corpo, que registra todas as sensações, emoções e sentimentos, é chamado de corpo astral, porque acredita-se que possa receber influência direta dos astros e de energias cósmicas. O quarto corpo, ou corpo espiritual, é onde se formam os conceitos e a noção da própria individualidade. Sua gestação é estimulada por meio de meditação, oração e comunhão, entre outras práticas. 
Estava claro para Steiner que a medicina não poderia ignorar a existência desses quatro corpos. Muito menos a educação. Ele dizia que a formação de cada um dos corpos acontecia aos poucos, em períodos definidos de sete anos, e que esse ciclo deveria ser respeitado. A atividade física e motora, assim como a estimulação dos sentidos, são muito importantes no período de formação do corpo etérico, relacionado à força vital. O ensino de artes plásticas é essencial na formação do corpo astral, ligado às emoções e sentimentos. 
Em 1919, Steiner começou a pôr em prática seus inumeráveis conhecimentos teóricos em Stuttgart, na Alemanha. Trabalhando numa escolinha para os funcionários da fábrica de cigarros Waldorf-Astoria (daí a origem do “Waldorf” como sinônimo de antroposofia), ele pôde aplicar o que intuitivamente sabia e o que tinha aprendido. O resultado surpreende ainda hoje e talvez como nunca. O impulso à criatividade e à autonomia, o amor à natureza e às artes, a prática da meditação e o conhecimento espiritual estão se transformando no projeto de vida de mais e mais pessoas, aqui e em todo o mundo.
Arquitetura orgânica 
A saudável bagunça que pode existir na casa de uma família antroposófica causaria arrepios em um consultor de Feng Shui. Mas, nesse ambiente, graças a Deus, as pessoas vêm em primeiro lugar. Depois, sim, consideram-se os móveis, a decoração e a ordem. Os sofás serão mais macios e confortáveis do que propriamente bonitos. A madeira estará muito presente nos móveis sólidos e pesados – em geral, feitos em marcenarias de pessoas que seguem a linha de pensamento Waldorf – e as cores das paredes lembrarão as tonalidades da terra: bege, ocre, marrom, creme, caramelo.
Quem sabe, virá da cozinha o cheiro do pão feito na hora. E se houver crianças na família, provavelmente você encontrará bichinhos de madeira ou bonequinhas de pano pelo chão. Em suma, uma casa sem frescuras, onde qualquer um entra e fica à vontade. “Temos muito respeito pela liberdade e pela individualidade de cada um”, diz Ana Vieira Pereira, de Botucatu, interior de São Paulo, professora de literatura, mãe de quatro filhos, e moradora da casa que você acaba de visitar. 
Habituados a ângulos e linhas retas, nossos olhos reagem dançando num primeiro contato com a arquitetura antroposófica. Assim como no espanhol Gaudí ou no americano Frank Lloyd Wright, incorporam-se formas orgânicas e naturais, mas considerando ainda os aspectos energético e espiritual do uso de cada ambiente. 
As janelas não são simétricas e as paredes podem, por exemplo, estar colocadas em forma de trapézio, já que essa forma, acreditam, tem ligação com a liberdade e a individualidade. Para cada ambiente há soluções que levam em conta as dimensões mais sutis do ser humano. “A arquitetura orgânica tem o brilho da vida. Ela é dinâmica, tem fluidez e movimento”, diz Michael Moesch, arquiteto responsável pelo projeto de muitas casas, fábricas e escolas de inspiração antroposófica no Brasil. 
Uma pedagogia que respeita a alma 
Aos nove anos, os alunos plantam trigo, colhem, moem a farinha, preparam o pão em forninhos de barro que eles próprios fizeram. Assim, aprendem uma das lições do tema “de onde as coisas vêm”, que compõe o conteúdo nesse período. Quando aprendem a escrever, fazem o caminho do calígrafo – experimentam o lápis, a pena de ganso, a caneta tinteiro. As aulas de História falam também de lendas e mitos – como o de Atlântida, o continente que foi engolido pelas águas, citado por Platão. O violino, um dos instrumentos mais usados nas classes, estimula a área ao redor do peito – assim, as cordas fazem vibrar o coração, o que promove o despertar das emoções. “Tudo é pensado para acompanhar o desenvolvimento anímico, energético e espiritual”, explica Celina Targa, professora da Escola Waldorf Micael, em São Paulo. A escola antroposófica não é feita para pais ansiosos (a alfabetização, por exemplo, só acontece no ano em que a criança completa sete anos).Os pais são convidados a participar, e muito, de todas as atividades. “Pode até se dizer que eles se matriculam junto com o filho”, diz Celina. 
Há pouco tempo, por exemplo, um grupo de pais da Escola Micael plantou trigo, moeu, cortou a massa numa antiga máquina de madeira trazida de Santa Catarina e se deliciou com uma macarronada feita com as próprias mãos. Tudo para compartilhar do aprendizado de seus filhos. E isso não acontece de vez em quando: sempre tem. 
Espiritualidade na plantação 
Outro ramo importante da antroposofia é a agricultura biodinâmica, que, além de ser orgânica (não utiliza adubos, aditivos ou inseticidas químicos), também respeita o caráter energético e vital dos alimentos. A plantação recebe diferentes “preparados”. Há fórmulas de inspiração homeopática com base em substâncias naturais como cristal ou esterco, às quais se atribui o poder de concentrar energias. Os insetos podem ser combatidos com o cultivo de vegetais que os afugentam ou, de novo, com preparados energéticos. Os ciclos e influências planetárias também são considerados. Para completar, é comum o agricultor antroposófico ser alguém que se exercita nas artes, que faz teatro e medita. Ele é o que se pode chamar de um homem integral, tal qual sua plantação.
O resultado é previsivelmente saudável e delicioso. (Na visita à fazenda, tive o privilégio de provar o manjericão e as nozes de um notável molho de pesto, além de um iogurte sem qualquer acidez e um pão com sementes de girassol que, mesmo em quantidade, não pesou no estômago.) 
Um dos pioneiros dessa história é o gaúcho Paulo Cabrera, que administra a Estância Demétria e o Sítio Bahia, áreas de agricultura e criação biodinâmicas em Botucatu (a presença da antroposofia nessa cidade é marcante e, nos últimos 20 anos, formou-se uma grande comunidade no entorno das plantações). Assim como quase todos os professores e agricultores Waldorf, ele se especializou na Europa – no caso, o prestigiado curso de Agricultura do Emerson College, na Inglaterra. 
Ao lado de outras quatro famílias e alguns funcionários, Cabrera produz vários tipos de laticínios, pães, geléias e mel. “O mais importante é que conseguimos preservar os princípios antroposóficos na maneira de ser. Montamos peças de teatro no Natal, Páscoa e Pentecostes. E temos aulas de euritmia, que trabalha a parte emocional”, conta ele. “O sentido mais profundo do nosso trabalho é desenvolver a consciência e a espiritualidade.” 
Marco Bertalot, professor de Agricultura Biodinâmica e um dos fundadores da Estância Demétria, explica de outro jeito. “A antroposofia estimula o lado direito do cérebro, responsável pela sensibilidade e pelo pendor artístico. É uma contrapartida à sociedade atual, que leva em consideração apenas o lado esquerdo do cérebro, o da racionalidade, da objetividade.” 
Apesar de muitos princípios e crenças, a antroposofia não é dogmática, não exige comprometimento total com suas cartilhas. Também não é seita, nem clube de associados, o que a torna simpática aos novos seguidores. Ao que parece, o admirável conhecimento deixado por Rudolf Steiner está se consolidando naturalmente porque é um manancial de soluções de bom senso para todos que percebem as relações entre o Homem, o planeta e o divino. E tem mesmo muito a ver com nossas avós. “A antroposofia recupera o lado feminino”, resume Marco Bertalot. “É o lado do amor, da proteção, do cuidado.”
Luz e Paz para todos!
Márcia de Lucena Saraceni
Fonte ; Sabedoria Universal

PÍTAGORAS

                                                                                                                                                                                      Pitágoras foi um dos maiores filósofos da antiguidade, nasceu no século 6 a.C, aproximadamente entre 571 a.C e 570 a.C, na ilha grega de Samos, no Mar Egeu e faleceu por volta do ano 500 a.C.

Ele foi um filósofo, mas acima de tudo um ser humano iluminado pela sabedoria e dotado de precisão científica.

Era filho de Mnesarcus, um entalhador, mas quase nada se sabe sobre sua vida.

Sua trajetória nesta vida foi polêmica, tão polêmica como é toda a trajetória de qualquer iluminado.

Durante sua juventude passou muitos anos viajando pelo oriente, tendo encontrado e estudado com líderes espirituais do Egito, Índia, Arábia, Pérsia, Palestina, Fenícia, Caldéia e Babilônia. Acredita-se que estudou com o sábio persa Zoroastro e aprendeu cabala na Judéia.

Pitágoras é uma figura extremamente importante no desenvolvimento da matemática, sendo freqüentemente considerado como o primeiro matemático puro. No entanto, pouco se sabe sobre suas realizações matemáticas, pois não deixou obra escrita e, além disso, a sociedade que ele fundou e dirigiu tinha um caráter comunitário e secreto.

No domínio da matemática, os estudos mais importantes atribuídos a Pitágoras são:

- a descoberta dos irracionais;
 - o Teorema de Pitágoras;
 - a descoberta da tabuada;
 - o estudo de propriedades dos números;
 - a construção dos primeiros três sólidos platônicos.

Os historiadores afirmam que Pitágoras descobriu a Numerologia, pois foi ele que fez a compilação científica dos números e suas comprovadas influências na vida humana, bem como, a elaboração de técnicas para a formulação do Mapa Numerológico Natal.

Na realidade, ele associou as expressões humanas aos números dando-lhes características humanas e desenvolveu mecanismos para elaborar um roteiro para que fosse possível o entendimento dessas influências numéricas no decorrer da vida humana sobre o planeta Terra.

E foi dessa maneira que acabou criando as descrições de cada número e o Mapa Numerológico Natal. Suas descobertas em Numerologia ultrapassam e muito o conhecimento que estava disponível em sua época.

Sem dúvida, foi um homem brilhante, depois de rodar o mundo em busca de conhecimentos, estabeleceu-se em Crótona, no sul da Itália, fundando a Escola Pitagórica para formar discípulos, que teve papel importantíssimo no desenvolvimento da Matemática.
 
Para se tornar seu discípulo era exigido, como pré-requisito, conhecimentos de aritmética, música, astronomia e geometria. Além desses conhecimentos, Pitágoras, fazia uma triagem que incluía um rigoroso exame acerca de seus ancestrais, seus comportamentos e equilíbrios emocionais.

Toda essa rigidez e exigências acabaram dando grandes frutos, pois a Numerologia só ficou conhecida pelo mundo graças à seus discípulos que acabaram difundindo seus conhecimentos e descobertas.

A Escola Pitagórica defendia o princípio de que a origem de todas as coisas estava nos números, o atomismo numérico.

O termo Escola Pitagórica se refere a uma escola filosófica no sentido histórico cuja existência se prolongou por mil anos desde sua fundação.

Tinha um caráter duplo. Por um lado, dedicava-se a questões espirituais: os pitagóricos acreditavam na imortalidade da alma e na reencarnação, e tinham a auto-reflexão como um dever consciente e imprescindível na espiritualização da vida. Por outro lado, como parte dessa espiritualização; incluía estudos de Matemática, Astronomia e Música, o que lhe imprimiu um caráter também científico.

O estudo da Matemática – confundindo-se com a filosofia, pois “tudo é número” – era feito para promover a harmonia da alma com o cosmos. Dentre os princípios filosóficos que faziam parte da Escola Pitagórica, destacam-se:

- a alma é imortal e reencarna-se;
 - os acontecimentos da história repetem-se em certos ciclos;
 - nada é inteiramente novo;
 - todas as coisas vivas são afins;
 - os princípios da Matemática são os princípios de todas as coisas.

A base da Numerologia moderna começou com Pitágoras. Para ele; “todas as coisas podem ser transformadas em números, e todas as experiências de vida estão contidas nos Números de 1 a 9”.

Podemos resumir a
obra de Pitágoras através da sua máxima: “A evolução é a lei da vida, o número é a lei do Universo, e a unidade é a lei de Deus”.
Fiquem na luz.
 CARMEN ARABELA
Fonte ;  JOSE GERALDO GUIMARAES em 5 outubro 2011 às 20:45





CARMEN ARABELA